Ontem, de partida para a Alvalade, confesso que a confiança não ia em alta (mas eu sou sempre pessimista - também culpa tua, Sporting). A saída de J. Mário, a quase certa de Slimani e o bom jogo do FCP em Roma (com os jogadores certos), deixavam-me apreensivo.
Já sentado, vejo os jogadores a irem para o aquecimento. Mais preocupado fiquei: 3 alterações face ao Paços e, pior, o regresso de Marvim ao 11 e de B. César a uma posição adiantada; e mais, B. Ruiz ia para o meio, onde não gosto nada de o ver, tal é o número de bolas que perde.
Reforços no 11? Zero, sintomático da cinzenta abordagem ao mercado (Schelotto, Petrovic, Meli, André/Castagnos - digo aqui abertamente: não precisávamos de nenhum deles; no final da época eu quero ver o que vamos fazer com tanto jogador para dispensar... não se esqueçam do Teo, Barcos, Slavchev e outros afins...).
Os primeiros 30 minutos deram-me razão: Marvim foi um desastre com bola e a defender; Bruno César não é explosivo encostado a uma ala e Ruiz esteve ausente, a não ser no número de bolas que perdeu. Neste capítulo, temos de acrescentar as péssimas saídas de bola de Coates, Adrien e Gelson (este último tão escondido, sem ser uma referência ou linha de passe). Graças a isto, o FCP jogava no nosso meio-campo, de forma mais agressiva e com um claro plano de jogo.
O golo de Felipe foi quase óbvio à nossa péssima entrada. Na minha cabeça, uma questão: se isto é assim sem o J. Mário, como será também sem o Slimani?
2 golos caídos do céu. Foram estes que permitiram uma reviravolta injusta até então, nas únicas verdadeiras subidas à área contrária. E a partir daí o Sporting muda, construindo uma vitória justa e conseguindo, finalmente, um domínio do jogo que durou até Tiago Martins querer.
William e Adrien cresceram, B. Ruiz voltou à sua posição e Bruno César aproximou-se de Slimani, fugindo das alas. Cá atrás, Semedo e Coates iam subindo muito de produção, ao lado de laterais contidos mas cada vez mais sólidos (Marvim cresceu muito com jogo mas está longe de convencer).
Ao intervalo a diferença da qualidade dos treinadores sentiu-se. Enquanto Jesus corrigiu erros e mandou o Sporting dominar e procurar o 3º golo, Nuno deve-se ter preocupado em dizer ao André André (incrível como acaba o jogo sem cartões), ao Danilo e ao Otávio para procurarem as simulações e, assim, as expulsões de Adrien, William e J. Pereira. Resumindo, JJ apostou no futebol, NES procurou estragá-lo (um pouco a imagem dos clubes que representam). Aqui, o Sporting teve, mais uma vez, sorte, pois Corona saiu lesionado, dando lugar a um Óliver ainda fora da boa forma (e ainda bem).
Até aos 60 minutos o Sporting foi excelente. Futebol mais largo, boas trocas de bola, subidas dos laterais criando superioridade, aproximação de sectores e recuperações em zonas altas, não deixavam o FCP respirar. No entanto, Tiago Martins tinha uma ordem expressa: o campeonato não podia ter um líder isolado; se o patrão não era líder, então não era mais ninguém!
De uma falta inexistente, dá um amarelo a William (já vai em 2, sem nada ter feito). No minuto seguinte, uma carga para amarelo de André André e o amarelo fica no bolso. Alvalade explode e JJ e o médico são expulsos. De repente, a equipa que está por cima do jogo e resultado enerva-se.
Os amarelos continuam a saltar só para um lado, apesar das constantes "obras" de André André, Otávio, Teles, Herrera, Layun e Oliver. Mas Tiago Martins só vê listas verdes e brancas.
Jesus tem de reformular tudo. Troca um apagado Ruiz por Campbell e Gelson por Paulista. O brasileiro tinha ordens usar o corpo (esteve muito bem a nível posicional, surpreendeu-me) e Campbell ajudava a manter a equipa subida e perigosa.
Até ao fim, maus passes impossibilitavam a criação de perigo e só um Tiago Martins conseguia empurrar um FCP sem ideias e esgotado fisicamente.
A vitória chegou, sem que, antes, João Pereira culminasse mais uma grande exibição com um desarme decisivo a Adrian Lopez.
Num dia de festa, Semedo e William foram enormes, numa despedida em grande de Slimani (mais um golo de crença) e onde Bruno César revelou toda a sua utilidade (livres e cantos é com ele, ok JJ? Não queremos o Ruiz a marcar livres), Gelson voltou a ser determinante mas deve perder o lugar para o 1º grande reforço deste plantel: Campbell. A forma como usou o corpo e a técnica foram suficientes para me encantar. Quantos minutos queimou o Sporting com ele? Grande maturidade e experiência.
Grande vitória e 2 semanas sem Liga, onde somos líderes justos e isolados. Agora vão todos para as selecções. Com pena minha, Bas Dost está convocado para a selecção. Devia cá ficar, pois o lugar tem de ser dele, já com o Moreirense. Acredito que será o nosso 2º grande reforço.
2 grandes reforços e 1 reforço (Beto), parece-me pouco, visto que foram contratados 11 jogadores (tudo "cirúrgico", dizem...).
Durante 1 hora, o Sporting mostrou ser a melhor equipa da Liga (já na época anterior tinha sido assim). Um treinador equilibra planteis e campeonatos. O Sporting tem o melhor dos treinadores. Mas, mesmo sendo Jesus (e isto não é piada religiosa), não faz milagres. À noite, o Sporting ameaçava regressar ao "8" depois de ter sido um grande "80". A notícia da possível saída de Adrien é um duro golpe e, a confirmar-se, tem uma mensagem clara: O Sporting não quer ser Campeão.
Ainda não vencemos nada. Ou, pior, já não vencemos nada há 14 anos. Desmontar equipas e rotinas não é caminho para o sucesso. Podemos enriquecer, mas perdemos o mais importante.
Já saíram Slimani e J. Mário. Se sai mais alguém (Adrien, Patrício, Semedo e William), então não andamos aqui a fazer nada.
E, por favor, façam favor de não estragar dinheiro em jogadores do Braga ou em sul-americanos que ninguém quer. Há Wallyson, Esgaio e F. Geraldes. E agora que o Mané vai sair (se vai sair, porque jogou?), aposte-se definitivamente em Iuri e Matheus (com Gelson à cabeça).
ps: a saída de J. Mário é uma fatalidade. No entanto, não gosto da opção tomada por parte do jogador. O que eu penso já está
aqui bem descrito. Só acrescento: quem conhece a história do Sporting, jamais escolheria o Inter como clube.
ps2: durante décadas, os clássicos foram jogados com os equipamentos oficiais. Nos últimos tempos, o Sporting facilitou usando os aberrantes calções verdes e/ou brancos. Agora foi o FCP a inovar: o amarelo. Enfim...
ps3: o ambiente em Alvalade é brutal!!!