domingo, 2 de março de 2014

Reviravolta (no resultado e nos ideais)


Ponto prévio: foi triste a forma como se viveu o minuto de silêncio em memória de Mário Coluna. Não houve respeito por parte das claques do Sporting, manchando um acto que se requeria digno e do qual Coluna era de todo merecedor. Não me revejo naquela atitude e reprovo-a totalmente. 

Vou ser sincero, não percebo nada de futebol. Nunca o estudei ou trabalhei e raramente o pratiquei. No entanto, já vi muito, ao longo de mais de 20 anos, o que me leva a fazer aquilo que muitos também fazem, comentá-lo.

De ontem, esta é a minha versão (que será muito contrária ao que tenho lido e ouvido):

Com as ausências de Montero e Adrien (que, com William e Patrício, são os únicos jogadores indiscutíveis desta equipa e sem substitutos) perante um adversário forte individualmente, o Sporting tinha um jogo bastante difícil. Assim foi. Não que o Braga tenha uma grande equipa (não tem, nomeadamente do meio-campo para trás) mas porque o Sporting, na linha decrescente que tem revelado em termos exibicionais, fez mais um jogo pouco conseguido, com poucas soluções na produção de jogo ofensivo, levando a que o resultado fosse (muito) melhor que a exibição.

E o jogo até começou bem. Os primeiros 20 minutos foram o melhor do Sporting. Com o 11 quase ideal face às limitações (embora eu preferisse Vítor ou Capel, em vez de Magrão), entrou forte, mandão, explorando a técnica e velocidade de Carrillo, bem como a pressão e rápida recuperação que Martins, William e, até, Magrão iam fazendo no meio-campo. Neste período, destacam-se o falhanço de Slimani (após jogada de Carrillo) e uma jogada anulada a Mané (que ainda não consegui ver porquê).

Eduardo ia atrasando o jogo (mas quem viu amarelo por estas “brincadeiras” foi o Patrício) e o Braga, após o acerto de marcações (a Jefferson e Cédric) ia começando a soltar a pressão, dando lugar ao melhor que dispõem: Alan (porra, que jogador…), Rafa, Pardo e Rucescu. O jogo no nosso meio-campo começava a ser mais constante, chegando ao golo, numa dupla infelicidade de Patrício.
Confesso que temi o pior. Mais uma vez, perante uma equipa debilitada, com um treinador com 3 treinos, no 7º lugar, o Sporting demonstrava o seu lado cristão, de ajuda e reabilitação dos mais frágeis. Só que desta vez, o adversário tinha qualidade ofensiva e, vendo-se a ganhar, podia sentenciar o jogo.

O intervalo não chegou sem que Slimani, na mesma jogada, falhasse o empate.

Ainda assim, Alvalade resistia e apoiava.

Para a 2ª parte, eu pedia a saída de Magrão para entrar Vítor ou Capel (neste último caso, com a passagem de Mané para o meio, recuando mais Martins). Mas não. O Braga continuava confortável e o Sporting cada vez mais longe do perigo. Até que, para mim, Jardim tudo fez para não ganhar o jogo. Claro que fez a vontade à bancada e a muitos adeptos do Sporting. Tirou Martins (o novo ódio leonino, enfim…), tirou o Carrillo (o ódio antigo), colocou Heldon e, finalmente, Capel, deixando, incrivelmente, Magrão (que demorava uma eternidade a fazer qualquer movimento). De um momento para o outro, Jardim tirou quem sabia ter a bola, quem pressionava, deixando só um William amarelado (sim, estava lá o Magrão, só que sentado) e o Mané. A partir desse momento, só um milagre levaria a bola à área do Braga e o Sporting ao empate (e vitória).

E aconteceu. Após insistência de Slimani, Mané (um dos poucos jogadores inteligentes em campo [o único, neste registo, no meio-campo ofensivo]), arranca um penalty a Sasso. Jefferson marca e traz o Sporting à vida. De seguida, Slimani aproveita mais uma má abordagem da defensiva bracarense e coloca o Sporting na liderança, num momento em que Pardo tinha rebolado quase 10m para ser assistido dentro de campo. 

Do banco, Jardim parece ter um raio de luz e coloca Vítor (pensei que para "compor o ramalhete", ia colocar o Wilson [mais outro para a bancada odiar] ou o Dier, a meio-campo). Mas quem é que tira? O Mané! Aquele que, no meio do terreno, sabia ter bola, sacava faltas e conseguia com que Cédric subisse e William respirasse.
Como seria de esperar, Vítor fez mais em 15 minutos que Magrão no jogo todo e teve mais influência no jogo que Capel e Heldon.

A vitória não chegaria sem que Patrício não se redimisse (não é que fosse preciso, pois já nos deu tanto), fazendo uma grande defesa, sendo, com William, Rojo e Maurício, um dos principais responsáveis por deixar o Braga longe do empate.

Face ao 11 apresentado e às limitações que o plantel tem, do banco nunca poderia vir algo melhor do que já estava dentro de campo. No entanto, ao retirar os melhores, Jardim bloqueou o jogo ofensivo, enfraquecendo o que já era frágil. Sejamos sinceros, o Sporting não chega ao empate e à vitória com o que veio do banco. As mudanças não tornaram a equipa mais dominadora, pressionante, asfixiante ou capaz de criar sucessivas oportunidades de golo. Antes pelo contrário. Em oposição ao que aconteceu na 1ª parte, a equipa afastou-se da baliza do adversário, deixando de ter tanta bola e por mais tempo. Não há nada que se lembre que Capel, Heldon e, para mim, Magrão, tenham trazido ao jogo.
E isto é que é preocupante. Vencemos? Sim. E foi uma vitória muito importante e que festejei (com grande alívio). Mas o que ficou do que se trabalhou? É esta a visão que Jardim tem e quer para o Sporting? 
Como disse, esta a minha versão. Quem percebe de futebol que a critique e contrarie. Quero sempre aprender, a sério.

Alvalade vai destilando ódio para com Martins e Carrillo. Não é novidade. Já o fez com Patrício, Adrien e Nani. Historicamente, comprovou-se que estavam errados. E agora?

ps: se tivesse muito dinheiro comprava o William Carvalho. Quanto tempo demorará para o Sporting voltar a formar ou ter um jogador com aquela qualidade?

11 comentários:

António Gomes disse...

fogo. és demais...

Para quando um post Jardim rua...

Ohomem tanto não percebe nada daquilo, que as suas substituições não resolvem nada, é tudo pura sorte. A REALIDADE, o SPORTING já virou o resultado em mais de 5 jogos neste ano com as suas mexidas.

De cor
Arrouca 1ªJ
Maritimo em cas
Benfica para a Taça
Braga nos dois jogos
Rio Ave
etc..

Barbosa disse...

Para a rua Jardim!!

JPDB disse...

Cantinho,

No estádio também foi o que me pareceu, que Jardim errou em toda a linha nas substituiçoes. Heldon não me convence minimamente. Ao menos o Capel ainda ganha faltas, e procura o meio em vez de procurar sempre a linha.
Ontem o Sporting virou o jogo, mas não foi pelas substituições.

Incompreensível é o ódio ao André Martins e ao Carrillo.
Espero sinceramente que o Leonardo Jardim procure outras soluções tácticas que sirvam para reabilitar o André Martins. Alguns dos problemas do Sporting estão a ser demasiado recorrentes para o Leonardo não reparar neles. E se não repara, sinceramente, está-me a desiludir.

A malta da bancada parece que parou nos anos 80, e não sei porquê nutre uma paixão doida pelas correrias até à linha e subsequentes cruzamentos.
Como diriam os mais entendidos, qual a probabilidade de sucesso de um cruzamento típico? Quanta vantagem têm os defesas sobre os avançados na abordagem aos cruzamentos?
O Guardiola não ensinou nada?
O futebol não é só alma, é muito de inteligência...

Rui Monteiro disse...

Meu caro,

Não estamos de acordo. O Martins e o Carrillo já tinham morrido há muito. O Martins não sei se chegou a entrar em campo. Entre ele e o Magrão, vou ali e já volto.

O LJ joga com o que tem. Para mim, o que foi mais tardio foi a entrada do Capel. O Capel podia agitar o jogo, como o fez.

As possibilidades não são muitas. O LJ joga com o que tem. Não se pode pedir muito mais.

SL

Anónimo disse...

E pronto, tinham que vir os básicos do costume limitar o debate entre pôr o Jardim na rua ou ter palas nos olhos. Adiante.

A verdade é que o Sporting anda a jogar pouco e por isso é que anda a ganhar com tanta aflição. É verdade que ficamos todos aliviados por ganhar no fim, mas depois o reverso da medalha é que muitos receiam que o Sporting não consiga aguentar o ritmo dos rivais, em particular dos lampiões, até pela desvantagem pontual que já tem.

O mais preocupante é que o Jardim acredite mesmo que o Sporting jogou bem. Quero acreditar que disse aquilo para moralizar os jogadores e não porque acha mesmo isso.

Ontem não foram as substituições que ganharam o jogo. Pelo contrário. Calhou o golo do Slimani ser depois das substituições. Um golo parecido com aquele que ele marcou em Guimarães, com o defesa também a aliviar a bola involuntariamente para a direcção dele.

É bom que se perceba que se o Sporting não jogar mais, corre o risco de perder em Alvalade com este Porto. Não haja dúvidas sobre isso.

Anónimo disse...

JPDB, os cruzamentos têm de ser bem feitos, e no Sporting raramente o são. Além de que durante a semana andaram a dizer que iam fazer muitos cruzamentos para o Slimani. Esperar-se-ia que durante o jogo houvesse outro tipo de jogo, porque não faz sentido estar a dizer ao adversário como se vai jogar. Mas tendo em conta as características do Slimani, não poderia ser muito diferente. É claro que o jogo acabou por ser muito previsível, porque o Montero sem dúvida que oferece muito mais opções, até porque sendo muito marcado, liberta espaço para o Slimani, que quando está sozinho não o tem.

Todavia, para além do golo, há dois bons momentos do argelino, o passe a desmarcar o Mané e o passe para o Vítor, que este incrivelmente desperdiçou.

Cantinho do Morais disse...

António Gomes e Barbosa,

Onde é que peço para o Jardim ir para a rua?
Se o Sporting ontem virou o resultado, digam-me onde é que veio a influência do banco? Em Arouca, Marítimo, Benfica e Rio Ave, sim, veio do banco, com as entradas de Slimani, Capel e Mané.
Mas ontem? O que fez Capel e Heldon que tenham permitido a reviravolta?
E porquê que críticas são sinal de querer o Jardim na rua? Não se pode debater nada? Expliquem-me, como peço no post, como é que as movimentações de Jardim (aquelas que critiquei) deram lugar à vitória.


JPDB,

A baliza está no meio. As laterais estão longe. Parece-me óbvio. Martins e Carrilo estão a cair e a cama está feita. Não há hipóteses. Martins não pode jogar tão à frente, recebendo o jogo pressionado (pois está mais perto dos defesas) e de costas para o jogo. E claro, sente-se que a confiança está abalada.


Rui Monteiro,

Tenho acompanhado a sua descrença em Martins, da qual não concordo. O problema de ontem é que no banco não havia nada melhor do que estava em campo (excepto Vítor e Capel, mas só em detrimento do Magrão).
Sei das limitações do plantel. Mas acho que Jardim, com as suas opções ontem, ainda o limitou mais.


Anónimo,

A conversa de Jardim na antevisão só pode ser bluff. E foi, pois nem sequer houve cruzamentos. Porque se o objectivo era esse, então o Capel teria de ser titular.
Slimani é bom mas o seu grau de imprevisibilidade esgota-se em pouco tempo, quando joga a titular. Entrando na 2ª parte, com Montero e defesas mais cansados, é muito melhor. Claro que ontem não podia ser porque não havia Montero.
E estou de acordo com o que diz no resto do comentário.

A minha preocupação não é o jogo com o Porto. Acho que já demonstrámos mais do que se vê agora. Há mérito dos adversários mas há erros recorrentes que teimam em ser corrigidos. E como já se fez mais com que se tem, então é sinal que quem treina é bom.

António Gomes disse...

Caro cantinho,

O meu comentário ao contrário do que possas pensar continha alguma ironia.

Eu sei que aprecias o LJ mas acho que exageras nas apreciações quando colocas posts destes.

A realidade foi a que escrevi, estamos a lutar com armas desiguais com os rivais e não me parece que seja por decisões do LJ que a coisa está mal... Afinal a reviravolta de resultados e a postura da equipa na 2^parte após as mexidas do LJ tem sido sempre melhores... Ou não? e é só sorte?

António Gomes disse...

Só para complementar as reviravoltas não se esgotam em jogadores que vem do banco... As substituições que modificam o jogo de quem já lá está dentro tb conta.

Quanto ao anónimo que diz que esta equipa não cruzou, só digo que não deve ter visto o mesmo jogo do que eu...

Anónimo disse...

Eu concordo em parte com o Cantinho na medida em que acho que não fizemos um bom jogo. Penso que o Capel tem de jogar de início pois é um jogador que desgasta a defensiva adversária e não o opode fazer se jogar 15min... Em relação ao Magrão, acho que está a ser injusto. Cometeu erros mas pelo menos fez alguma coisa ao contrário do André Martins! No entanto não partilho de ódio nenhum face ao André mas penso que se ele e o Magrão trocassem as posições teria sido mais vantajoso para o Sporting.

Cumps

Cantinho do Morais disse...

António Gomes,

Se exisita ironia no comentário, não reparei. Quer dizer, reparei mas não percebi que as mesmas não tinham sido um ataque ao meu post.

"Afinal a reviravolta de resultados e a postura da equipa na 2^parte após as mexidas do LJ tem sido sempre melhores..."

Claro, se falarmos no geral ou, como eu te respondi, nos casos do jogo com Arouca, Rio Ave, Benfica (Taça) e Marítimo. Aí não houve "só
sorte", como perguntas.
Agora, para este jogo com o Braga, as suas alterações em nada melhoraram, a meu ver, o nosso jogo, creio mesmo que até o tornaram mais complicado porque as saídas não se entendem. E, neste jogo, pareceu-me haver sorte.

Do banco veio a mudança de Mané para o meio. Óptimo! Mas porque não logo de início, entrando Capel para o lugar de Magrão? Ou, porque não, saindo Magrão, recuando Martins e colocar Mané no meio, ficando Capel e Carrillo nas alas, isto na 2ª parte?
Para mim era melhor que ficar Magrão e Heldon, saindo Carrillo e Martins.
Volto a dizer, nada melhorou com estas substituições.

Anónimo,

Também me parece óbvio que Martins no lugar de Magrão dava maior rendimento a Martins. E isso podia ter sido feito a qualquer momento, melhorando o nosso jogo e poupando críticas a Martins, a meu ver, injustas porque não está na posição correcta e com as melhores funções para as suas qualidades.