domingo, 21 de agosto de 2016

Duplas de betão (e de construção)


Não foi um bom jogo aquele que se assistiu na Mata Real (já agora, excelente estádio e relvado; quem te viu e quem te vê...). 
Apesar de se ter apresentado com o melhor 11 disponível, o Sporting não entrou bem no jogo, com uns primeiros 20 minutos dignos de pré-época. Muita lentidão, distância entre jogadores, pontapé para a frente e poucas combinações que iam acelerando um relógio que, com 0-0, corre sempre contra nós.
Aos poucos, os laterais iam, com os seus pares da frente, tentando chegar com critério à frente. Muitas foram as tentativas de João Pereira e Bruno César de combinar com Gelson e B. Ruiz para que a bola chegasse às zonas de perigo, onde Slimani e A. Ruiz se mostravam ausentes e pouco interventivos. Nesta fase, sentia-se a ausência de João Mário já que Gelson (que depois foi decisivo) revelava muita "tremideira", perdendo lances de ataque (que eram muito raros).

Aos poucos, os melhores do Sporting iam aparecendo. William e Adrien começaram a ligar o jogo e a permitir que se jogasse, mais tempo, mais próximo da área do Paços de Ferreira. O aviso foi dado por um remate de A. Ruiz que, pouco depois serviu bem Slimani que, de forma incrível, transformou uma situação de finalização em... nada.
Por outro lado, a 1ª parte ia revelando que os velhos (e bons) hábitos são para se manter. Hugo Miguel (o denominado "árbitro do Sporting" - tal como António Garrido, Vítor Pereira...), mostrava ao que ia. As pisadelas em Gelson, as pancadas sem bola em Adrien, Semedo e, especialmente esta, em Bruno César eram assinaladas sem qualquer admoestação. Góis derruba B. Ruiz, num lance em que o Defendi não estava na baliza e o amarelo ficou no bolso. Aos 34 minutos, após não ter assinalado um empurrão sobre Slimani à entrada da área, vê William a não fazer qualquer falta no meio-campo do Paços e... "toma lá amarelo para ficares condicionado e, assim, pode ser que leves outro antes disto acabar!". E nem vamos falar do ridículo fora de jogo assinalado a B. Ruiz num canto (onde 5 a 6 jogadores do Paços estavam a colocá-lo em jogo, em oposição ao "deixa jogar" num lance de fora de jogo escandaloso que o mesmo fiscal permitiu ao Paços, valendo aí Rui Patrício.

Na 1ª parte fui desejando que Slimani tivesse outros pés. Tabelinhas estragadas, apoios e 1º toque que travavam o processo ofensivo e 2 lances desperdiçados na cara de Defendi, mostravam que não é um jogador de topo. Só que, aos 44 minutos fez aquilo que nenhum avançado do Sporting faria (aliás, em campo, só Adrien e J. Pereira lutariam por aquela bola): a forma como recupera uma bola perdida, permitindo que Bruno César cruzasse para Gelson, originando o golo de Adrien, é o espelho da sua grande importância. Ok, podia ser melhor com os pés, mas não se pode ter tudo...

Com o jogo desbloqueado o Sporting começa bem a 2ª parte. Aí, ao contrário da 1ª, foi o flanco direito que trabalhou melhor. Gelson aparecia bem mas concluía sempre mal, não dando, sequer, origem a lances de perigo. Curiosamente, foi da esquerda (excelente o passe de B. César - sim, este é que deve ser o nosso defesa-esquerdo) que surgiu o lance mais perigoso, no entanto, uma assistência aos saltos de Gelson não permitiu uma conclusão melhor a Slimani. Era o melhor período do Sporting assumindo, finalmente, um claro controlo do jogo (boa e mais rápida circulação; excelente William e muito bem a construção partindo de trás com os centrais e um Patrício à imagem do melhor Víctor Valdés do Barça de Guardiola).

O Paços, só perdendo pela a margem mínima, resolveu "arriscar" colocando Ivo Rodrigues e Cícero que, contra nós, faz das limitações força (muita força). Para ajudar, Jorge Jesus resolve equilibrar o jogo, colocando Marvim e subindo B. César (duas asneiras numa substituição só...).
O jogo "esticou" e deu espaço a que uma outra dupla se destacasse: Semedo e Coates. Estes foram excelentes e fizeram um jogo à imagem do final da época passada. A segurança do resultado passou muito por eles. Quando vejo que se pretende mais um central, até tremo. Para quê estragar o que é tão bom?

Apesar do susto aos 87m (como é que permitido ao Paços fazer aquele lançamento? Não se aprendeu nada com o golo do Tondela em Alvalade?), a vitória estava garantida. 3 pontos muito importantes, em vésperas de receber o FCP que tem em André Silva (a capacidade daquela gente em formar pontas de lança...), Rúben Neves, Layun e Corona os principais perigos (porra Nuno, estes 3 estavam tão bem no banco...). Por outro lado, numa fase onde os planteis ainda estão por definir, é importante não perder pontos.

Num jogo difícil (pela demora em marcar e pelo desperdício que não deu o golo da tranquilidade), fica mais uma vez demonstrado que, tendo Adrien, William, Patrício e Slimani, o Sporting é forte internamente e difícil de bater. Se a estes se juntarem Semedo e Coates, um bom Bryan e a manutenção de J. Pereira e B. César nos devidos lugares, estaremos sempre mais perto da vitória. Ainda é curto. A confirmar-se a vinda de Campbell, JJ ganha um problema adicional. É que a presença de A. Ruiz no 11 só se justifica na óptica de "já sei quem devo tirar na 1ª substituição". É como uma segurança para JJ. De momento, Alan não é mais que um Carlos Miguel - técnica aliada a uma lentidão que nem na América do Sul se aceita. Veremos se Campbell é o 1º (verdadeiro) reforço desta época.

Venha de lá o FCP, numa semana que terá muito "carvão" da CS e que exigirá que a estratégia de comunicação do Sporting seja digna da grandeza do clube. Seria muito importante (e, também, inédito).


ps: dos 19 convocados, 10 eram portugueses. Jogaram 7 portugueses, sendo 6 da formação (que eram 8, no total). Gosto.
ps2: até Mané, com 2 treinos, já está à frente de Iuri Medeiros...
ps3: excelente a presença e o apoio dos nossos adeptos. No próximo domingo, em Alvalade, é a minha vez!

domingo, 14 de agosto de 2016

É para acreditar?


Ontem, a atmosfera em redor de Alvalade era um misto de pré-época com final da Taça de Portugal. O calor e a hora vespertina recuperam esse ambiente. Sentia-se nas pessoas uma conduta que cheira a férias mas, também, a ansiedade de já se estar numa competição que "conta para o totobola".
Foi com este espírito que entrei no estádio. Ao olhar para o 11 inicial, as primeiras (boas) surpresas:
- J. Pereira a titular (Schelloto no banco);
- Marvim longe da equipa (é aí onde pode ser valioso);
- Bryan Ruiz a ocupar a esquerda (nem a 8, nem no meio);

"Ok, boa, estamos quase o 11 ideal. Só falta o Bruno César a defesa-esquerdo, mas não se pode ter tudo", pensei eu.
Alguma tristeza quando olhei para o banco e vi que Iuri não estava (mas estava Matheus, menos mal).

Uma das coisas que partilhei com um dos meus amigos que me acompanha a Alvalade foi se, ao contrário dos jogos da pré-época, íamos deixar de sofrer "cá atrás", isto é, se continuava a ser fácil criar lances de golo contra nós. Bem, foi só preciso esperar 15 minutos para esclarecer essa dúvida.
Apesar de uma boa entrada e tendo-se criado lances de perigo (Alan Ruiz, J. Mário e um excelente cruzamento de J. Pereira para uns acanhados e pesados Ruiz(es)), bastou uma "tabelinha" e um pouco de "bê-á-bá" de futebol e Baba podia ter feito o 1º do jogo. Podia... mas aquilo que parecia fácil e golo certo, Rui Patrício tem o condão de transformar numa tarefa hercúlea. O alarme estava dado e a vitória começava, aí, a ganhar forma.

Daí até aos 40m só deu Sporting. Um dos poucos cantos batidos sem ser "em balão" encontrou Coates (bom jogo), e este não perdoou. Assim também se ganham jogos (e, porque não, campeonatos). Continuámos a carregar e a jogar muito próximo da baliza mas o 2º não aparecia, apesar das boas oportunidades de J. Mário e Gelson (excelente exibição). 
Próximos dos 40m, lá se voltou ao Sporting tremido. Mas aí nem Patrício nos valeu. E quando esta última barreira se vai, só a Sorte nos pode salvar. Alan Ruiz com a perda de bola, Jefferson com a passividade e Semedo com o adormecimento momentâneo, iam dando ao Marítimo um empate que, na 2ª parte seria difícil de inverter, face à dificuldade que temos em concretizar oportunidades de golo.

Na 2ª parte ainda fomos melhores (sim, acho que estivemos bem na 1ª parte, apesar dos 2 lances do Marítimo). Primeiro porque entrámos com Bruno César a defesa-esquerdo (a melhor posição que pode ocupar neste Sporting; face aos disponíveis, tínhamos o melhor 11 em campo).
William e Adrien começaram a asfixiar o adversário, começando a jogar-se em 30/40m. Gelson e J. Pereira iam dinamizando uma ala direita em alta-rotação e de grande qualidade. J. Mário, Gelson e Coates iam adiando o que parecia inevitável, o 2º golo. Pouco depois, em mais uma excelente jogada pela direita do nosso ataque, o Sporting coloca na pequena área J. Pereira e Brian Ruiz. Desta vez, Ruiz não falhou (bom pronúncio?).

Alvalade estava agora mais tranquilo mas sem nunca abrandar no forte apoio à equipa.
O bom jogo continuava e sempre com trocas de bola de grande magia e a abrilhantarem uma tarde de festa. Ruiz, J. Mário, B. César, William e Gelson são jogadores com elevada qualidade técnica e ia-se fazendo uma gestão da posse (que deve ter tido números elevados) digna de equipa grande. 
As oportunidades para marcar iam rareando, mas o controlo do jogo era absoluto, apesar do óbvio cansaço que se ia notando (os Ruizes, Adrien, J. Mário e J. Pereira à cabeça).
Jorge Jesus, não querendo devolver criatividade e acutilância ao jogo (entrando Matheus, por exemplo), optou pela segurança. Entraram Scheolloto para ala (enfim...) e Paulista (não desgostei), numa mensagem clara de "vamos manter segurança no nosso jogo".

O jogo terminava e as sensações eram muito boas.
No dia em que J. Mário parece ter-se despedido (vai deixar saudades mas, pelos valores que se falam, é inevitável e obrigatório), o Sporting (e JJ) pode ter recuperado algo de muito positivo: J. Pereira e B. César como donos das laterais. Esperemos que continue.
Por outro lado, percebeu-se que os esteios desta equipa são 3 mosqueteiros (com o 4º de partida...): Patrício, Adrien e William. Enormes. São eles e neles que se pode elevar o Sporting e as (reais) possibilidades de vencer a Liga (falando, claro, somente de futebol).

Há bons indicadores e algumas preocupações (André Silva, Corona, etc, não falham o que Baba falhou, por exemplo). Para já, reforços (apesar da boa técnica e entrega de Alan), nem vê-los. No banco, não há jokers. E isso, embora com algum atraso, tem de mudar rapidamente. 

A Liga já começou, apesar do calor e dos jogos à tarde.  

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Erro (olímpico)


Não deveria ser preciso ver os jogos da Selecção Nacional Olímpica para se constatar o óbvio: André Martins é um excelente jogador.

Não deveria ser preciso ver, em somente dois jogos, o quanto André Martins é importante numa equipa e num jogo. A constante oferta e procura de linhas de passe, a movimentação sempre no sentido de receber e estar colocado de frente para o jogo, a recuperação de bolas, as tabelas simples e eficientes, a progressão com a bola ou pela via do passe (recorrendo à melhor situação que o momento gera), e um posicionamento perfeito que permite que os sectores estejam o mais junto possível (quantas vezes é ele, aquele pronto de socorro do portador da bola que já está esquecido e bloqueado junto à linha lateral, no meio-campo adversário?), a maneira quase sempre eficaz como decide o que fazer, são elementos que conferem a este jogador uma qualidade enorme e que custa (muito) ver desperdiçada.

"Apaixonei-me" pelo futebol do André Martins nos primeiros jogos que fez com o Domingos Paciência. No início de 2012, em mais um declínio da equipa, ele era um dos poucos motivos que me levava (ainda) a acreditar na vitória.
Seguiu-se um período excelente com Sá Pinto. Sá Pinto, que terá sido dos piores treinadores que o Sporting teve (bem, Vercauteren e Oceano vieram desmentir isso), foi aquele que melhor explorou o André, conferindo-lhe uma importância enorme na equipa. Quem não se lembra dos jogos com Athletic Bilbao ou com o Metalist, onde jogou a 8 e a 6, com 22 anos?

Mas aquilo que prometia muito foi desaparecendo. A época seguinte trouxe doenças ao clube. Pranjic e Gelson Fernandes juntavam-se a outros desinteressados como Elias. O seu espaço na equipa, por ordem de quem, sabe-se lá, foi-se perdendo. Época perdida e com o pior resultado da nossa história.
Leonardo Jardim recuperou-o, assinando uma 1ª volta enorme (levou-o à Selecção A), bem acompanhado por um desconhecido William e Adrien, junto à direita (com Cédric) e servindo outro grande jogador, Montero.
Em Janeiro, Jardim achou que ganhar a Liga era demais e mudou tudo. Heldon, Magrão começaram a ocupar lugares que deviam ser de Martins e Montero (já suplente de um argelino ainda tão longe da influência de hoje). A disputa do título atirada ao lixo (mais uma vez pergunta-se, por ordem de quem?).

Com Marco Silva, foi-se perdendo. O crescimento de Adrien, o aparecimento de J. Mário e Carrillo colocaram-no como 2ª opção. E mesmo quando Marco Silva achou que cruzar era a única forma de atacar, sempre que aparecia (com Montero, outro proscrito), a qualidade de futebol crescia.

Com Jorge Jesus desapareceu. A chegada milionária de Aquilani e Paulista arrasou com as minhas ténues esperanças. Pensava mesmo que JJ ia elevá-lo ao patamar do longínquo ano de 2012. Não o fez e não ainda percebo porquê.
Quando hoje se vê aquilo que Aquilani não trouxe, aquilo que Paulista não sabe do jogo (nem nunca vai saber), as contratações de Petrovic e, até, Meli, e assistimos à partida, inglória, de André Martins, parece que há algo que não bate certo. Trocou-se o bom pelo incerto. O barato pelo dispendioso. Um leão por um mero profissional.

Em Abril de 2015 fiz esta pergunta. O tempo deu-me razão. E a qualidade (e eficácia) do nosso futebol também. Estamos mais pobres. E porque quisemos que assim fosse. E isso é que é totalmente incompreensível e inaceitável.

Estou seguro que André continuará em Portugal. E, em breve, estará de volta a um grande. E, só aí, é que todos vamos perceber o erro cometido. Mais um, na nossa história.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A História passou a correr (e venceu)


Quando hoje nos vangloriamos de fazer parte de um Clube com grande peso na História do Desporto Mundial, temos de reconhecer que isso se deve, em grande, grande parte ao Prof. Mário Moniz Pereira.

A sua partida (aposto que, esta prova, foi a única em que não quis chegar em 1º lugar), mais do que deixar um vazio impossível de preencher na modalidade que mais projectou o Sporting Clube de Portugal (e, também, todo o desporto nacional), permite-nos recordar o seu legado como algo de muito grandioso e que todos nos devemos orgulhar e, para sempre, recordar.
Se os valores que definem o Sporting Clube de Portugal pudessem ser projectados numa só pessoa, o Prof. Moniz Pereira seria um excelente candidato ao lugar.

Não precisará de nenhuma "lebre" para chegar à sua definitiva meta. E, aí, estou certo que poderá continuar a demonstrar o seu singular sorriso (e, porque não, cantar um fado), agora que vai encontrar os outros grandes capítulos da nossa História: Francisco Stromp; os Cinco Violinos; Joaquim Agostinho e António Livramento.

Boa corrida, caro Professor.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Grito (do Ipiranga?)


Na época futebolística que está prestes a começar, quando um juiz (ousar) cometer a heresia de assinalar um penalti contra o SLB ou, quem sabe, expulsar um jogador dessa instituição, face à singularidade e imprevisibilidade da situação, já sabemos o que devemos gritar:

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Éder, nunca é demais repetir: MUITO OBRIGADO!!

Que o futebol português não tenha medo de crescer e ser, finalmente, independente.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Euro 2016 - sponsored by Entroncamento



Stade de France (Saint-Denis - Paris) - 22 de Junho de 2016


Stade de France (Saint-Denis - Paris) - 10 de Julho de 2016

Actualização:
- mais um fenómeno, neste dia 10 de Julho, que mostrava que algo de estranho se estava a passar no Universo (futebolístico);
- outro sinal que demonstra que, no dia 10 de Julho, o Universo não andava nada bem...

sábado, 2 de julho de 2016

O Sporting está (sempre) de Parabéns!


Com o Eric Dier, estaria um 11 completo (e de grande nível!).

E, apesar de tudo, quero acreditar que o penalty contra a Polónia foi a única coisa que Cristiano Ronaldo obrigou Moutinho a fazer, não sendo necessário chamá-lo para constar nesta bonita prenda.
 
(Aurélio Pereira deve estar muito orgulhoso do seu magnífico trabalho)
 
 
Parabéns, SPORTING!!!

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Herói na sombra

(imagem retirada de http://www.gazetaesportiva.com)


Numa selecção com ADN "verde", as vitórias têm de ter, obrigatoriamente, 2 denominadores comuns: 
- sofrimento até ao fim;
- uma defesa decisiva de Rui Patrício;

Rui, como bem sabes, hoje as luzes não vão incidir sobre ti. Não é esse o protocolo. 

sábado, 4 de junho de 2016

Época de Santos

Ontem tiveram início as Festas de Lisboa, uma festividade que dura o mês inteiro de Junho e que, entre os lisboetas, é mais conhecida como "Santos".

Nesta folia que envolve a cidade de Lisboa, a bebida mais vendida é a cerveja. Claro que cada um bebe a cerveja da maneira que melhor lhe convém. Uns preferem em caneca, outros em lata, traçada ou em imperial.

A Travessa da Queimada, localizada em pleno coração lisboeta, num bairro bem tradicional (Bairro Alto), e que leva esta coisa do(s) Santos muito a sério, não podia dissociar-se da festa que, na verdade, já começou há uns meses atrás. Ali, mais do que as quantidades de cerveja que ingerem, o que torna os indígenas únicos é a forma como a bebem, junto dos seus pares e, especialmente, com os seus patronos. Este ano, pois as tradições são para se manter, dão continuidade à arte que os tornou famosos, bebendo as famosas imperiais de joelhos (até devem dar espectáculo quando têm direito a voucher do Museu da Cerveja).


Este ano, até já têm música para a Marcha, que teve um 1ª ensaio geral no Marquês de Pombal, num acto de grande comunhão entre os patronos (quem canta a música) e os "bairristas".



Santo Ivan já se acabou
O São Guedes está-se a acabar
São Renato, São Renato, São Renato
tira-a cá pra fora,
para eu brincar...
 

domingo, 10 de abril de 2016

Neo-Realismo (intemporal)


Hoje, no escritório, tive uma pega com o Ribeiro (...). É um tipo ordinário! Fala sempre em calão e desafiou-me para a rua. É sócio do Benfica, ainda por cima, e gente de águia na lapela não me convence. É um fanfarrão malcriado que me repugna. À saída deu-me dois estalos e prometeu repetir a façanha.
  Alves Redol, Anúncio, 1945.


quinta-feira, 24 de março de 2016

Mais um pouco que se vai, mais uma recordação


Sempre dormi pouco. Foi assim em bebé, depois em criança e, agora, em adulto. Dormir nunca foi para mim (não é que não tenha sono, durmo é pouco). Se, hoje, esse problema só me atrapalha a mim, em criança foi algo que prejudicou muitas das manhãs de fim de semana e de férias dos meus pais.
Como consequência, cedo os meus pais ensinaram-em a mexer na Tv. A partir daí, aos fins de semana, pelo menos até ao "70x7" ou até à "Eucaristia Dominical", eu estava "domado".
Só que, rapidamente, os desenhos animados deixaram de me entreter.

Então, em 1988, dá-se um acontecimento importantíssimo lá em casa: o meu pai compra um leitor de vídeo (VHS - sim, Beta já era).
Além de um filme do Lucky Luke (Daisy Town), visto vezes sem conta, foram as cassetes com futebol que me acompanharam em muitas manhãs (algo já recordado aqui).

Consolidava-se aí a minha relação com o Futebol (iniciada em 1986, no Mundial do México). As manhãs passavam a ser preenchidas com gravações das finais da Taça de Inglaterra (que davam, em directo, na RTP 2), do Mundial de 90, do Euro 88, de jogos internacionais (Milan de Sacchi e os 3 holandeses, PSV de Romário e Hiddink, entre outros), bem como do Liverpool (antes do Sporting, eu só fui do Liverpool).

Além das gravações, o meu pai - conhecedor do meu gosto pelo futebol - por vezes, oferecia-me cassetes. Uma delas, contava a História dos "5 melhores jogadores de sempre" - Diego Maradona, Pelé, Eusébio, Franz Beckenbauer e Johan Cruyff .
Vi a cassete dezenas de vezes. De todos os que já não jogavam (Maradona era o único ainda no activo, o que diz muito desse enorme jogador [o melhor de sempre até aparecer Messi] ), Johan Cruyff foi o que mais me cativou.
Agradecer-lhe pelas manhãs bem passadas será sempre pouco. Através da admiração que senti logo por ele, iniciei pesquisas para mundos futebolísticos que ainda me eram desconhecidos. Descobri a Laranja Mecânica de 1974 e, principalmente, o seu Barcelona, por quem rapidamente me apaixonei. Junto do meu pai (que sempre adorou o Barcelona e a "escola holandesa" - que admiração que tinha pelo Cruyff e pelo PSV do Hiddink que até ficou destroçado quando este foi para o Real Madrid...), segui o percurso do Barcelona de Cruyff no alcançar do topo em Wembley (1992), passando pelo Tetra na Liga espanhola (com ajudas fundamentais de Romario, Laudrup, Stoichtkov, Koeman, Zubi, Bakero, Guardiola, bem como do Tenerife e Deportivo de Bebeto, Mauro Silva, Fran, Donato e Djukic...), finalizando, tristemente, em Atenas, perante um Savicevic intratável.

Recordo-me perfeitamente da sua "passagem", no banco do Barça, do cigarro para os chupa-chupas (a merda de uma doença já ameaçava), numa mesma altura (e em perfeita analogia) em que o meu único herói da BD, o Lucky Luke, também ele, passava do cigarro para uma palha, sem nunca perderem a sua qualidade na actividade que exerciam.

Relembrar Cruyff é ir à memória da minha infância e pré-adolescência. É reconhecer-lhe e agradecer-lhe pela importância que teve no meu gosto pelo Futebol, pela boa prática do mesmo, e pela admiração que hoje mantenho por dois elementos fundamentais do Futebol Mundial: Barcelona e Guardiola.

As figuras mundiais são isto mesmo. Mesmo sem saberem ou conhecerem, fazem parte da vida de muita gente. Cruyff fez parte da minha vida e da de meu pai. E isso, tinha sempre de ser reconhecido e recordado.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Do Manual "Como Vencer uma Liga"


Estádio do Bessa, 6ª jornada, 26 de Setembro de 2015

Resultado 0-0

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Estádio do Bessa, 27ª jornada, 20 de Março de 2016

Resultado 0-1

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O mesmo local, o mesmo adversário, o mesmo resultado no marcador aquando a jogada e, praticamente, o mesmo tipo de jogada. Infelizmente, para nós, só a conclusão da jogada é que não foi a mesma.
 
São, somente, 2 pontos que separam o Sporting do SLB. 2 pontos que Teo deixou fugir e que Jonas agarrou. 2 pontos.

Mas aquilo que separa Teo de Jonas é bem mais que isso. E esse pequeno pormenor, também ajuda (e muito) a perceber porquê que este campeonato nos pode fugir.

domingo, 20 de março de 2016

Pai (Jorge) Jesus


Ontem foi Dia do Pai.

Um Pai, no seu Amor pelo filhos, é aquele que garante a nossa Educação, nos faz Evoluir, Protege e oferece um Carinho infinito. Dá-nos Tranquilidade e Confiança para Crescer, bem como as inevitáveis Responsabilidades para melhor encararmos o futuro.
O Filho, ao ver e sentir isso tudo pelo Pai, devolve Amor ao Pai. E, ainda, acrescenta Admiração e (muito) Respeito. Mas só se tiver, sempre, tudo aquilo que Pai lhe deve dar (sim, porque os filhos são egoístas e demoram a desculpar uma "falha" do Pai).

JJ é o "pai" desta equipa do Sporting.
É o "Pai" da exibição de ontem do Bruno César (a quem pode pedir tudo). 
É o "Pai" da defesa do Sporting que, apesar de insistência infundada num não jogador (Schelotto), e nas constantes alterações forçadas (nos centrais e na lateral-esquerda), é uma defesa que sabe defender (algo nem sempre acontece, uma defesa defender..).
É o "Pai" da insistência em Teo. Protegeu-o contra todos, deu-lhe confiança pública quando já estava sozinho nessa demanda. Acreditou nele. Ontem, o "filho" Teo recompensou-o.
O que fez com Teo também fez com William. Numa época de índices exibicionais baixos (aquela lesão no Euro sub-21...), sempre o defendeu e deu-lhe consecutivamente a titularidade, sabendo que ia crescer. Quem viu William na Amoreira e ontem, sabe que JJ tem de ser um "pai" orgulhoso.
E que dizer de Adrien? Quanto do seu crescimento se deve ao "Pai" JJ? A jogada do 3º golo? O Adrien das últimas épocas (apesar de grandes épocas) fazia tudo aquilo?

E, por fim, Slimani. Não há melhor "filho" neste plantel que espelhe tão bem o (bom) trabalho do "Pai" Jorge Jesus. Slimani cresceu e evoluiu para um verdadeiro jogador de futebol, algo que podia ser possível, mas estava tão distante. JJ trabalhou com este "filho". E Slimani devolveu-lhe, com golos e exibições (como a de ontem, que foi das melhores que já vi nele), todo o trabalho de "Pai" que JJ fez com ele.  E mais, acrescentou aquele extra da relação Pai-Filho, demonstrando sempre Admiração pelo "Pai".

Jorge, um "Pai" não diz publicamente, e daquela forma, o que disseste do e ao Slimani. Tens razão na tua gestão que fizeste do jogo e equipa. E é essa razão que tens de transmitir ao Slimani que, como bom "filho", compreenderia as tuas razões. Mas não o podes fazer ali, naquele momento, e como fizeste. 
Não sou Pai de ninguém, mas tive um bom modelo e cresci sempre perto de outros excelentes exemplos de grandes pais, daí considerar-me com alguma moral para te criticar neste episódio. Não duvido que Slimani mantenha Admiração por ti, bem como um forte sentimento de Gratidão por tudo o que tens feito por ele. Mas temo, se não remediares isso brevemente, que possa ter perdido o Respeito por ti

E logo no Dia do Pai...
 

segunda-feira, 7 de março de 2016

"Bryan, não és tu. O problema sou eu."

Bryan, hoje é assumido por todos que os teus falhanços no sábado custaram a liderança (e a Liga) ao Sporting. Dito assim, desta forma crua, parece forte, pesado, e, talvez, injusto mas, à primeira vista, não deixa de se ter uma certa razão. Quando se escrever a história desta Liga, o(s) teu(s) falhanço(s) terá um capítulo só teu.

Mas custa-me que assumas tudo sozinho. Há algo mais que levou ao insucesso nesta Liga, como em outras Ligas ou outras competições. Há uma personagem que, desde do dia 6 de Agosto de 2003, tem travado a glória ao Sporting Clube de Portugal. E essa personagem sou eu, a Baliza Norte. Por mim, tem passado o insucesso, a tristeza e derrota final a cada competição. Se for por mim, estamos constantemente "tramados". Sábado foi só mais uma linha desta minha história.
Porquê que sou assim? Sei que não há maldade, há aselhice. Não sou boa o suficiente para este grande clube. E vamos mantendo uma relação em que eu só o prejudico, dando muito pouco em retorno. Não sei como é que ainda nos mantemos juntos...

E nem é ciumes da Baliza Sul!! Como gosto de a ver quando atacamos para lá. Já reparaste como somos melhores quando o fazemos? Já reparaste que é lá que somos mais felizes? Honra lhe seja feita. E tão bem que lhe assenta o nome do grande Vítor Damas!
Todas as histórias belas do Sporting em Alvalade passam pela aquela baliza. Foi ali que virámos a eliminatória da UEFA com o Newcastle, marcámos o golo do Pinilla que nos levou a vantagem preciosa a Alkmar. A baliza onde Tello marcou um golo ao Guimarães e nos levou líderes à Luz, a duas jornadas do fim (2005). Onde Bueno marcou 4 golos (e Liedson o melhor de tantos golos pelo Sporting), numa louca remontada contra o Nacional e que nos fez depender de nós próprios para ser Campeão em 2006/2007. Foi nela que vibrámos no louco derby da Taça com o SLB que terminou 5-3 (quantos golos marcámos na minha baliza? Zero!!), onde tivemos uma grande vitória contra o Athletic Bilbao, onde o Xandão fez o seu brilhante calcanhar, onde humilhámos o Schalke, onde, já esta época, derrotámos o SLB na Taça, e muitos mais exemplos...

E eu? Que fiz eu? O que é que eu tenho para contar?
Olha, para começar, e nestes episódios tu já cá estavas, foi em mim que perdemos esta Liga, sem qualquer dúvida:
- penalti no último minuto contra o Paços de Ferreira (menos 2 pontos);
- golo do dispensado do Tondela quase no fim do jogo (menos 2 pontos);
- falhanços escandalosos /então o do Slimani) contra o Rio Ave (menos 2 pontos);
- a escorregadela do William e as tuas perdidas contra o SLB (menos 3 pontos);

Ainda há dúvidas que a culpada fui eu? E não tu? Só este ano, já voaram 9 pontos à minha frente. 

Mas, para seres simpático, podias dizer que é uma coincidência, uma situação única. Bem, como sabes pouco da nossa história, faço-te um pequeno resumo, só com os momentos mais marcantes das últimas épocas:

2003/2004 
- no jogo do título contra o FCP, Rochemback falha aqui um penalti (1-1, ficou entregue);
- na última jornada, foi ali que Geovanni marcou no último minuto, dando o acesso à Champions ao SLB, tirando-nos essa possibilidade;

2004/2005
- final da UEFA - os 3 golos do CSKA foram todos aqui, comigo. O dia mais doloroso da minha vida desportiva... Oportunidade única completamente desperdiçada. Quanto tempo levaremos a estar em posição idêntica? 

2005/2006
- a poucas jornadas do fim, recebíamos o FCP, o líder e do qual estávamos a 2 pontos; perdemos quase no fim, golo do Jorginho. Sabes em que baliza? Pois...

2006/2007
- golo da mão do Ronny, contra o Paços de Ferreira. Perdemos essa Liga por 1 ponto...

2007/2008
- 4ºs final da UEFA - após empate a 0 na Escócia, tínhamos tudo para derrotar o Rangers em casa. O que fizemos? Perdemos 0-2. Golos na 2ª parte... aqui, onde estou.
Em 2011, perdeu-se aqui o acesso aos 8vos da UEFA, com o golo do empate (e derrota) com os mesmos Rangers, aos 92 minutos!!! Porra, é que ainda por cima sou cruel...

E em 2012? Onde é que achas que o Athletic Bilbao marcou o golo fundamental na meias-finais da UEFA? Exacto...
Aliás, já na eliminatória antes eu quase que estragava tudo com um penalti, quase no fim do jogo, contra o Metalist. Confesso, tenho mesmo um problema.

E, mais recentemente, foi aqui à minha frente que Jardel marcou, na época passada, um golo aos 94 minutos, tirando-nos definitivamente de qualquer luta pelo título e 2º lugar.

Como vês Bryan, a culpa não é tua. Sou eu. O problema está em mim. Não tenho força suficiente para acabar com este compromisso. Mesmo sentido que sou uma doença e causadora de tantas tristezas e insucessos, sinto-me confortável nesta relação. Acomodei-me. Mas, confesso que não estava à espera que o Sporting se sentisse bem com isto tudo e que não faça o óbvio (e até obrigatório): é tempo de me trocar por outra. 


Quantas mais provas, da minha incompetência e falta de lealdade, é que precisa?

Sporting, já era tempo de acordares.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Fruta e café vs Kit Eusébio (vulgo, "o meu Sistema é melhor que o teu")



Pela manhã, para os lados de Santiago de Compostela...


à tarde, numa qualquer ETAR perto de si,


Descubra a(s) diferença(s). 

(Uma dica: não é o cheiro.)