domingo, 18 de setembro de 2016

E ser campeão, não?


Antes de se (tentar) ser uma equipa de Champions, tem de se ser uma equipa Campeã.
As prioridades não podem estar trocadas.

3 defesas-esquerdos contratados em 3 épocas, mas o titular é um médio.
Um defesa-direito que é uma comédia (e que se contratou), quando um outro que sabe muito mais do jogo e da posição tem de jogar na equipa B.
2 avançados titulares que até na América do Sul seriam considerados lentos.
Uma das principais contratações que, em 15 minutos no jogo de estreia (com 1 treino), a jogar na direita, fez muito mais do quem 2 jogos a titular na esquerda.

Um enorme mar de equívocos só podia dar no que deu. Claramente, até pelos discursos prévios dos seus treinadores, se constatou que houve uma equipa que se preparou para este jogo, e para o vencer. Já a outra, optou só por, simplesmente, jogá-lo.

Este início de época, pelo calendário favorável, pela indefinição e crescimento lento do FCP, e pela onda de lesões no SLB (que já tinha perdido pontos), tinha de ser melhor rentabilizado. Era possível (e obrigatório) fazer uma enorme sequência de vitórias e "cavar um fosso" para os rivais que podia ser decisivo. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Sporting que eu não queria (mas vi)


Na continuação do último post, agora surge o plantel com 30 nomes que eu não queria ter visto no meu clube.
Infelizmente, este plantel foi muito difícil de construir. Os 30 nomes são poucos. Nomes como Vinicius, Balajic, Boulahroz, Torsiglieri, Farnerud, Spehar, Rui Bento, Gelson Fernandes, Manoel, Peter Houtman, entre outros, tiveram de ficar de fora, com muita pena minha.

O critério de escolha foi fácil: falta de qualidade futebolística (principalmente ao serviço do Sporting Clube de Portugal). É óbvio que um critério tão lato arrisca a algumas injustiças. Por exemplo, houve jogadores, que estão lista, que nunca descobri se tinham qualidade futebolística (ou não). As óbvias dificuldades motoras (conseguir andar, por exemplo), poderão ter sido fortes entraves a uma (eventual) explosão futebolística (ex: Had e Purovic), que nunca veio a acontecer. Se estiver a ser injusto e se, de facto, eles conseguem ser jogadores futebol, apresento já aqui as minhas sinceras desculpas.

Tal como no post anterior, a lista final vai suscitar críticas mas, acima de tudo, um avivar de memórias que desejaríamos já ter eliminado. Um dado curioso, sempre fomos uns "nabos" a contratar no mercado interno e, especialmente, jogadores portugueses.
Estes são os 30, aqueles que me levaram a abanar a cabeça, a rogar pragas e a perder anos de vida.

Em primeiro plano está o 11 desse plantel. 
Os treinadores: Paulo Sérgio, Vercauteren, Waseige, Cantatore e Pedro Rocha.
O equipamento: Oficial e Alternativo da Macron (2014-2015)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O "meu" Sporting - 30 anos de memórias

(adoro esta imagem. Além de pertencer ao plantel do 1º título que "vivi", é impossível não rir com as montagens nos reforços de Janeiro: Mpenza, César Prates e André Cruz)


Na ressaca de um dia em que só se falou de "contratações", "vendas", "empréstimos", decidi apresentar o meu plantel. Procurei e revirei 30 anos de memórias (o ponto de partida é a época 1986/87) e construí um plantel com 30 jogadores (excessivo, eu sei. É que é para apostar, também, na Champions League), 1 jogador por cada ano.

Tentei adoptar algum critério lógico. O 1º critério é a Qualidade Futebolística. Tentei centrar-me na Razão e não na Emoção. Critérios como "amor à camisola", "um verdadeiro leão", não entram. Aqui só entra a boa arte de praticar Futebol, puro e duro.
Um outro critério, difícil de seguir foi o de, por exemplo, que os 30 tenham jogado, pelo menos, uma época inteira e que eu os tenha visto ao vivo algumas vezes. Assim, admito que há 3 jogadores que quase não cabiam nesses requisitos: Vítor Damas, Manuel Fernandes e Cristiano Ronaldo
O dois primeiros estavam de saída, pela avançada idade. E não foi fácil vê-los tantas vezes ao vivo, pois eu ainda era muito novo para ser uma presença constante em Alvalade (6 anos). Já Ronaldo entra por ser o jogador mais mediático (e até o Maior) que o Sporting ajudou a produzir. Ainda o vi no velhinho Alvalade (Boloni podia tê-lo usado muito mais vezes...) e despedi-me dele, como todos, naquele dia quente de Agosto, em que inaugurámos a nova casa.  
Os 3, por aquilo que simbolizam dentro do clube, e porque os vi (uma vez que fosse), ao vivo, tinham mesmo de constar.

A lista final vai suscitar críticas mas, acima de tudo, um avivar de memórias. Isso é o mais importante. Admito que as laterais defensivas não serão consensuais e pode faltar aí um ou outra referência (Cadete, Oceano, Iordanov, Rui Jorge). Mas eram 30, não 50 (esse dia vai chegar, espero eu).

Estes são os 30, aqueles que me encheram as medidas e que gostaria que nunca tivessem saído.
 

Em primeiro plano está o 11 desse plantel. 
Os treinadores: Marinho Peres, Jozic e Jorge Jesus.
O equipamento: Stromp da Reebok e o Oficial da Umbro ou da Le Coq Sportif

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Do 8 ao 80 (e de volta ao 8, já de noite)


Ontem, de partida para a Alvalade, confesso que a confiança não ia em alta (mas eu sou sempre pessimista - também culpa tua, Sporting). A saída de J. Mário, a quase certa de Slimani e o bom jogo do FCP em Roma (com os jogadores certos), deixavam-me apreensivo.
Já sentado, vejo os jogadores a irem para o aquecimento. Mais preocupado fiquei: 3 alterações face ao Paços e, pior, o regresso de Marvim ao 11 e de B. César a uma posição adiantada; e mais, B. Ruiz ia para o meio, onde não gosto nada de o ver, tal é o número de bolas que perde.
Reforços no 11? Zero, sintomático da cinzenta abordagem ao mercado (Schelotto, Petrovic, Meli, André/Castagnos - digo aqui abertamente: não precisávamos de nenhum deles; no final da época eu quero ver o que vamos fazer com tanto jogador para dispensar... não se esqueçam do Teo, Barcos, Slavchev e outros afins...).

Os primeiros 30 minutos deram-me razão: Marvim foi um desastre com bola e a defender; Bruno César não é explosivo encostado a uma ala e Ruiz esteve ausente, a não ser no número de bolas que perdeu. Neste capítulo, temos de acrescentar as péssimas saídas de bola de Coates, Adrien e Gelson (este último tão escondido, sem ser uma referência ou linha de passe). Graças a isto, o FCP jogava no nosso meio-campo, de forma mais agressiva e com um claro plano de jogo. 
O golo de Felipe foi quase óbvio à nossa péssima entrada. Na minha cabeça, uma questão: se isto é assim sem o J. Mário, como será também sem o Slimani?

2 golos caídos do céu. Foram estes que permitiram uma reviravolta injusta até então, nas únicas verdadeiras subidas à área contrária. E a partir daí o Sporting muda, construindo uma vitória justa e conseguindo, finalmente, um domínio do jogo que durou até Tiago Martins querer.
William e Adrien cresceram, B. Ruiz voltou à sua posição e Bruno César aproximou-se de Slimani, fugindo das alas. Cá atrás, Semedo e Coates iam subindo muito de produção, ao lado de laterais contidos mas cada vez mais sólidos (Marvim cresceu muito com jogo mas está longe de convencer).

Ao intervalo a diferença da qualidade dos treinadores sentiu-se. Enquanto Jesus corrigiu erros e mandou o Sporting dominar e procurar o 3º golo, Nuno deve-se ter preocupado em dizer ao André André (incrível como acaba o jogo sem cartões), ao Danilo e ao Otávio para procurarem as simulações e, assim, as expulsões de Adrien, William e J. Pereira. Resumindo, JJ apostou no futebol, NES procurou estragá-lo (um pouco a imagem dos clubes que representam). Aqui, o Sporting teve, mais uma vez, sorte, pois Corona saiu lesionado, dando lugar a um Óliver ainda fora da boa forma (e ainda bem).

Até aos 60 minutos o Sporting foi excelente. Futebol mais largo, boas trocas de bola, subidas dos laterais criando superioridade, aproximação de sectores e recuperações em zonas altas, não deixavam o FCP respirar. No entanto, Tiago Martins tinha uma ordem expressa: o campeonato não podia ter um líder isolado; se o patrão não era líder, então não era mais ninguém!
De uma falta inexistente, dá um amarelo a William (já vai em 2, sem nada ter feito). No minuto seguinte, uma carga para amarelo de André André e o amarelo fica no bolso. Alvalade explode e JJ e o médico são expulsos. De repente, a equipa que está por cima do jogo e resultado enerva-se. 
Os amarelos continuam a saltar só para um lado, apesar das constantes "obras" de André André, Otávio, Teles, Herrera, Layun e Oliver. Mas Tiago Martins só vê listas verdes e brancas.
Jesus tem de reformular tudo. Troca um apagado Ruiz por Campbell e Gelson por Paulista. O brasileiro tinha ordens usar o corpo (esteve muito bem a nível posicional, surpreendeu-me) e Campbell ajudava a manter a equipa subida e perigosa.

Até ao fim, maus passes impossibilitavam a criação de perigo e só um Tiago Martins conseguia empurrar um FCP sem ideias e esgotado fisicamente.
A vitória chegou, sem que, antes, João Pereira culminasse mais uma grande exibição com um desarme decisivo a Adrian Lopez.

Num dia de festa, Semedo e William foram enormes, numa despedida em grande de Slimani (mais um golo de crença) e onde Bruno César revelou toda a sua utilidade (livres e cantos é com ele, ok JJ? Não queremos o Ruiz a marcar livres), Gelson voltou a ser determinante mas deve perder o lugar para o 1º grande reforço deste plantel: Campbell. A forma como usou o corpo e a técnica foram suficientes para me encantar. Quantos minutos queimou o Sporting com ele? Grande maturidade e experiência. 

Grande vitória e 2 semanas sem Liga, onde somos líderes justos e isolados. Agora vão todos para as selecções. Com pena minha, Bas Dost está convocado para a selecção. Devia cá ficar, pois o lugar tem de ser dele, já com o Moreirense. Acredito que será o nosso 2º grande reforço.
2 grandes reforços e 1 reforço (Beto), parece-me pouco, visto que foram contratados 11 jogadores (tudo "cirúrgico", dizem...).

Durante 1 hora, o Sporting mostrou ser a melhor equipa da Liga (já na época anterior tinha sido assim). Um treinador equilibra planteis e campeonatos. O Sporting tem o melhor dos treinadores. Mas, mesmo sendo Jesus (e isto não é piada religiosa), não faz milagres. À noite, o Sporting ameaçava regressar ao "8" depois de ter sido um grande "80". A notícia da possível saída de Adrien é um duro golpe e, a confirmar-se, tem uma mensagem clara: O Sporting não quer ser Campeão.

Ainda não vencemos nada. Ou, pior, já não vencemos nada há 14 anos. Desmontar equipas e rotinas não é caminho para o sucesso. Podemos enriquecer, mas perdemos o mais importante.
Já saíram Slimani e J. Mário. Se sai mais alguém (Adrien, Patrício, Semedo e William), então não andamos aqui a fazer nada.

E, por favor, façam favor de não estragar dinheiro em jogadores do Braga ou em sul-americanos que ninguém quer. Há Wallyson, Esgaio e F. Geraldes. E agora que o Mané vai sair (se vai sair, porque jogou?), aposte-se definitivamente em Iuri e Matheus (com Gelson à cabeça).

ps: a saída de J. Mário é uma fatalidade. No entanto, não gosto da opção tomada por parte do jogador. O que eu penso já está aqui bem descrito. Só acrescento: quem conhece a história do Sporting, jamais escolheria o Inter como clube.
ps2: durante décadas, os clássicos foram jogados com os equipamentos oficiais. Nos últimos tempos, o Sporting facilitou usando os aberrantes calções verdes e/ou brancos. Agora foi o FCP a inovar: o amarelo. Enfim... 
ps3: o ambiente em Alvalade é brutal!!!

domingo, 21 de agosto de 2016

Duplas de betão (e de construção)


Não foi um bom jogo aquele que se assistiu na Mata Real (já agora, excelente estádio e relvado; quem te viu e quem te vê...). 
Apesar de se ter apresentado com o melhor 11 disponível, o Sporting não entrou bem no jogo, com uns primeiros 20 minutos dignos de pré-época. Muita lentidão, distância entre jogadores, pontapé para a frente e poucas combinações que iam acelerando um relógio que, com 0-0, corre sempre contra nós.
Aos poucos, os laterais iam, com os seus pares da frente, tentando chegar com critério à frente. Muitas foram as tentativas de João Pereira e Bruno César de combinar com Gelson e B. Ruiz para que a bola chegasse às zonas de perigo, onde Slimani e A. Ruiz se mostravam ausentes e pouco interventivos. Nesta fase, sentia-se a ausência de João Mário já que Gelson (que depois foi decisivo) revelava muita "tremideira", perdendo lances de ataque (que eram muito raros).

Aos poucos, os melhores do Sporting iam aparecendo. William e Adrien começaram a ligar o jogo e a permitir que se jogasse, mais tempo, mais próximo da área do Paços de Ferreira. O aviso foi dado por um remate de A. Ruiz que, pouco depois serviu bem Slimani que, de forma incrível, transformou uma situação de finalização em... nada.
Por outro lado, a 1ª parte ia revelando que os velhos (e bons) hábitos são para se manter. Hugo Miguel (o denominado "árbitro do Sporting" - tal como António Garrido, Vítor Pereira...), mostrava ao que ia. As pisadelas em Gelson, as pancadas sem bola em Adrien, Semedo e, especialmente esta, em Bruno César eram assinaladas sem qualquer admoestação. Góis derruba B. Ruiz, num lance em que o Defendi não estava na baliza e o amarelo ficou no bolso. Aos 34 minutos, após não ter assinalado um empurrão sobre Slimani à entrada da área, vê William a não fazer qualquer falta no meio-campo do Paços e... "toma lá amarelo para ficares condicionado e, assim, pode ser que leves outro antes disto acabar!". E nem vamos falar do ridículo fora de jogo assinalado a B. Ruiz num canto (onde 5 a 6 jogadores do Paços estavam a colocá-lo em jogo, em oposição ao "deixa jogar" num lance de fora de jogo escandaloso que o mesmo fiscal permitiu ao Paços, valendo aí Rui Patrício.

Na 1ª parte fui desejando que Slimani tivesse outros pés. Tabelinhas estragadas, apoios e 1º toque que travavam o processo ofensivo e 2 lances desperdiçados na cara de Defendi, mostravam que não é um jogador de topo. Só que, aos 44 minutos fez aquilo que nenhum avançado do Sporting faria (aliás, em campo, só Adrien e J. Pereira lutariam por aquela bola): a forma como recupera uma bola perdida, permitindo que Bruno César cruzasse para Gelson, originando o golo de Adrien, é o espelho da sua grande importância. Ok, podia ser melhor com os pés, mas não se pode ter tudo...

Com o jogo desbloqueado o Sporting começa bem a 2ª parte. Aí, ao contrário da 1ª, foi o flanco direito que trabalhou melhor. Gelson aparecia bem mas concluía sempre mal, não dando, sequer, origem a lances de perigo. Curiosamente, foi da esquerda (excelente o passe de B. César - sim, este é que deve ser o nosso defesa-esquerdo) que surgiu o lance mais perigoso, no entanto, uma assistência aos saltos de Gelson não permitiu uma conclusão melhor a Slimani. Era o melhor período do Sporting assumindo, finalmente, um claro controlo do jogo (boa e mais rápida circulação; excelente William e muito bem a construção partindo de trás com os centrais e um Patrício à imagem do melhor Víctor Valdés do Barça de Guardiola).

O Paços, só perdendo pela a margem mínima, resolveu "arriscar" colocando Ivo Rodrigues e Cícero que, contra nós, faz das limitações força (muita força). Para ajudar, Jorge Jesus resolve equilibrar o jogo, colocando Marvim e subindo B. César (duas asneiras numa substituição só...).
O jogo "esticou" e deu espaço a que uma outra dupla se destacasse: Semedo e Coates. Estes foram excelentes e fizeram um jogo à imagem do final da época passada. A segurança do resultado passou muito por eles. Quando vejo que se pretende mais um central, até tremo. Para quê estragar o que é tão bom?

Apesar do susto aos 87m (como é que permitido ao Paços fazer aquele lançamento? Não se aprendeu nada com o golo do Tondela em Alvalade?), a vitória estava garantida. 3 pontos muito importantes, em vésperas de receber o FCP que tem em André Silva (a capacidade daquela gente em formar pontas de lança...), Rúben Neves, Layun e Corona os principais perigos (porra Nuno, estes 3 estavam tão bem no banco...). Por outro lado, numa fase onde os planteis ainda estão por definir, é importante não perder pontos.

Num jogo difícil (pela demora em marcar e pelo desperdício que não deu o golo da tranquilidade), fica mais uma vez demonstrado que, tendo Adrien, William, Patrício e Slimani, o Sporting é forte internamente e difícil de bater. Se a estes se juntarem Semedo e Coates, um bom Bryan e a manutenção de J. Pereira e B. César nos devidos lugares, estaremos sempre mais perto da vitória. Ainda é curto. A confirmar-se a vinda de Campbell, JJ ganha um problema adicional. É que a presença de A. Ruiz no 11 só se justifica na óptica de "já sei quem devo tirar na 1ª substituição". É como uma segurança para JJ. De momento, Alan não é mais que um Carlos Miguel - técnica aliada a uma lentidão que nem na América do Sul se aceita. Veremos se Campbell é o 1º (verdadeiro) reforço desta época.

Venha de lá o FCP, numa semana que terá muito "carvão" da CS e que exigirá que a estratégia de comunicação do Sporting seja digna da grandeza do clube. Seria muito importante (e, também, inédito).


ps: dos 19 convocados, 10 eram portugueses. Jogaram 7 portugueses, sendo 6 da formação (que eram 8, no total). Gosto.
ps2: até Mané, com 2 treinos, já está à frente de Iuri Medeiros...
ps3: excelente a presença e o apoio dos nossos adeptos. No próximo domingo, em Alvalade, é a minha vez!

domingo, 14 de agosto de 2016

É para acreditar?


Ontem, a atmosfera em redor de Alvalade era um misto de pré-época com final da Taça de Portugal. O calor e a hora vespertina recuperam esse ambiente. Sentia-se nas pessoas uma conduta que cheira a férias mas, também, a ansiedade de já se estar numa competição que "conta para o totobola".
Foi com este espírito que entrei no estádio. Ao olhar para o 11 inicial, as primeiras (boas) surpresas:
- J. Pereira a titular (Schelloto no banco);
- Marvim longe da equipa (é aí onde pode ser valioso);
- Bryan Ruiz a ocupar a esquerda (nem a 8, nem no meio);

"Ok, boa, estamos quase o 11 ideal. Só falta o Bruno César a defesa-esquerdo, mas não se pode ter tudo", pensei eu.
Alguma tristeza quando olhei para o banco e vi que Iuri não estava (mas estava Matheus, menos mal).

Uma das coisas que partilhei com um dos meus amigos que me acompanha a Alvalade foi se, ao contrário dos jogos da pré-época, íamos deixar de sofrer "cá atrás", isto é, se continuava a ser fácil criar lances de golo contra nós. Bem, foi só preciso esperar 15 minutos para esclarecer essa dúvida.
Apesar de uma boa entrada e tendo-se criado lances de perigo (Alan Ruiz, J. Mário e um excelente cruzamento de J. Pereira para uns acanhados e pesados Ruiz(es)), bastou uma "tabelinha" e um pouco de "bê-á-bá" de futebol e Baba podia ter feito o 1º do jogo. Podia... mas aquilo que parecia fácil e golo certo, Rui Patrício tem o condão de transformar numa tarefa hercúlea. O alarme estava dado e a vitória começava, aí, a ganhar forma.

Daí até aos 40m só deu Sporting. Um dos poucos cantos batidos sem ser "em balão" encontrou Coates (bom jogo), e este não perdoou. Assim também se ganham jogos (e, porque não, campeonatos). Continuámos a carregar e a jogar muito próximo da baliza mas o 2º não aparecia, apesar das boas oportunidades de J. Mário e Gelson (excelente exibição). 
Próximos dos 40m, lá se voltou ao Sporting tremido. Mas aí nem Patrício nos valeu. E quando esta última barreira se vai, só a Sorte nos pode salvar. Alan Ruiz com a perda de bola, Jefferson com a passividade e Semedo com o adormecimento momentâneo, iam dando ao Marítimo um empate que, na 2ª parte seria difícil de inverter, face à dificuldade que temos em concretizar oportunidades de golo.

Na 2ª parte ainda fomos melhores (sim, acho que estivemos bem na 1ª parte, apesar dos 2 lances do Marítimo). Primeiro porque entrámos com Bruno César a defesa-esquerdo (a melhor posição que pode ocupar neste Sporting; face aos disponíveis, tínhamos o melhor 11 em campo).
William e Adrien começaram a asfixiar o adversário, começando a jogar-se em 30/40m. Gelson e J. Pereira iam dinamizando uma ala direita em alta-rotação e de grande qualidade. J. Mário, Gelson e Coates iam adiando o que parecia inevitável, o 2º golo. Pouco depois, em mais uma excelente jogada pela direita do nosso ataque, o Sporting coloca na pequena área J. Pereira e Brian Ruiz. Desta vez, Ruiz não falhou (bom pronúncio?).

Alvalade estava agora mais tranquilo mas sem nunca abrandar no forte apoio à equipa.
O bom jogo continuava e sempre com trocas de bola de grande magia e a abrilhantarem uma tarde de festa. Ruiz, J. Mário, B. César, William e Gelson são jogadores com elevada qualidade técnica e ia-se fazendo uma gestão da posse (que deve ter tido números elevados) digna de equipa grande. 
As oportunidades para marcar iam rareando, mas o controlo do jogo era absoluto, apesar do óbvio cansaço que se ia notando (os Ruizes, Adrien, J. Mário e J. Pereira à cabeça).
Jorge Jesus, não querendo devolver criatividade e acutilância ao jogo (entrando Matheus, por exemplo), optou pela segurança. Entraram Scheolloto para ala (enfim...) e Paulista (não desgostei), numa mensagem clara de "vamos manter segurança no nosso jogo".

O jogo terminava e as sensações eram muito boas.
No dia em que J. Mário parece ter-se despedido (vai deixar saudades mas, pelos valores que se falam, é inevitável e obrigatório), o Sporting (e JJ) pode ter recuperado algo de muito positivo: J. Pereira e B. César como donos das laterais. Esperemos que continue.
Por outro lado, percebeu-se que os esteios desta equipa são 3 mosqueteiros (com o 4º de partida...): Patrício, Adrien e William. Enormes. São eles e neles que se pode elevar o Sporting e as (reais) possibilidades de vencer a Liga (falando, claro, somente de futebol).

Há bons indicadores e algumas preocupações (André Silva, Corona, etc, não falham o que Baba falhou, por exemplo). Para já, reforços (apesar da boa técnica e entrega de Alan), nem vê-los. No banco, não há jokers. E isso, embora com algum atraso, tem de mudar rapidamente. 

A Liga já começou, apesar do calor e dos jogos à tarde.  

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Erro (olímpico)


Não deveria ser preciso ver os jogos da Selecção Nacional Olímpica para se constatar o óbvio: André Martins é um excelente jogador.

Não deveria ser preciso ver, em somente dois jogos, o quanto André Martins é importante numa equipa e num jogo. A constante oferta e procura de linhas de passe, a movimentação sempre no sentido de receber e estar colocado de frente para o jogo, a recuperação de bolas, as tabelas simples e eficientes, a progressão com a bola ou pela via do passe (recorrendo à melhor situação que o momento gera), e um posicionamento perfeito que permite que os sectores estejam o mais junto possível (quantas vezes é ele, aquele pronto de socorro do portador da bola que já está esquecido e bloqueado junto à linha lateral, no meio-campo adversário?), a maneira quase sempre eficaz como decide o que fazer, são elementos que conferem a este jogador uma qualidade enorme e que custa (muito) ver desperdiçada.

"Apaixonei-me" pelo futebol do André Martins nos primeiros jogos que fez com o Domingos Paciência. No início de 2012, em mais um declínio da equipa, ele era um dos poucos motivos que me levava (ainda) a acreditar na vitória.
Seguiu-se um período excelente com Sá Pinto. Sá Pinto, que terá sido dos piores treinadores que o Sporting teve (bem, Vercauteren e Oceano vieram desmentir isso), foi aquele que melhor explorou o André, conferindo-lhe uma importância enorme na equipa. Quem não se lembra dos jogos com Athletic Bilbao ou com o Metalist, onde jogou a 8 e a 6, com 22 anos?

Mas aquilo que prometia muito foi desaparecendo. A época seguinte trouxe doenças ao clube. Pranjic e Gelson Fernandes juntavam-se a outros desinteressados como Elias. O seu espaço na equipa, por ordem de quem, sabe-se lá, foi-se perdendo. Época perdida e com o pior resultado da nossa história.
Leonardo Jardim recuperou-o, assinando uma 1ª volta enorme (levou-o à Selecção A), bem acompanhado por um desconhecido William e Adrien, junto à direita (com Cédric) e servindo outro grande jogador, Montero.
Em Janeiro, Jardim achou que ganhar a Liga era demais e mudou tudo. Heldon, Magrão começaram a ocupar lugares que deviam ser de Martins e Montero (já suplente de um argelino ainda tão longe da influência de hoje). A disputa do título atirada ao lixo (mais uma vez pergunta-se, por ordem de quem?).

Com Marco Silva, foi-se perdendo. O crescimento de Adrien, o aparecimento de J. Mário e Carrillo colocaram-no como 2ª opção. E mesmo quando Marco Silva achou que cruzar era a única forma de atacar, sempre que aparecia (com Montero, outro proscrito), a qualidade de futebol crescia.

Com Jorge Jesus desapareceu. A chegada milionária de Aquilani e Paulista arrasou com as minhas ténues esperanças. Pensava mesmo que JJ ia elevá-lo ao patamar do longínquo ano de 2012. Não o fez e não ainda percebo porquê.
Quando hoje se vê aquilo que Aquilani não trouxe, aquilo que Paulista não sabe do jogo (nem nunca vai saber), as contratações de Petrovic e, até, Meli, e assistimos à partida, inglória, de André Martins, parece que há algo que não bate certo. Trocou-se o bom pelo incerto. O barato pelo dispendioso. Um leão por um mero profissional.

Em Abril de 2015 fiz esta pergunta. O tempo deu-me razão. E a qualidade (e eficácia) do nosso futebol também. Estamos mais pobres. E porque quisemos que assim fosse. E isso é que é totalmente incompreensível e inaceitável.

Estou seguro que André continuará em Portugal. E, em breve, estará de volta a um grande. E, só aí, é que todos vamos perceber o erro cometido. Mais um, na nossa história.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A História passou a correr (e venceu)


Quando hoje nos vangloriamos de fazer parte de um Clube com grande peso na História do Desporto Mundial, temos de reconhecer que isso se deve, em grande, grande parte ao Prof. Mário Moniz Pereira.

A sua partida (aposto que, esta prova, foi a única em que não quis chegar em 1º lugar), mais do que deixar um vazio impossível de preencher na modalidade que mais projectou o Sporting Clube de Portugal (e, também, todo o desporto nacional), permite-nos recordar o seu legado como algo de muito grandioso e que todos nos devemos orgulhar e, para sempre, recordar.
Se os valores que definem o Sporting Clube de Portugal pudessem ser projectados numa só pessoa, o Prof. Moniz Pereira seria um excelente candidato ao lugar.

Não precisará de nenhuma "lebre" para chegar à sua definitiva meta. E, aí, estou certo que poderá continuar a demonstrar o seu singular sorriso (e, porque não, cantar um fado), agora que vai encontrar os outros grandes capítulos da nossa História: Francisco Stromp; os Cinco Violinos; Joaquim Agostinho e António Livramento.

Boa corrida, caro Professor.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Grito (do Ipiranga?)


Na época futebolística que está prestes a começar, quando um juiz (ousar) cometer a heresia de assinalar um penalti contra o SLB ou, quem sabe, expulsar um jogador dessa instituição, face à singularidade e imprevisibilidade da situação, já sabemos o que devemos gritar:

video

Éder, nunca é demais repetir: MUITO OBRIGADO!!

Que o futebol português não tenha medo de crescer e ser, finalmente, independente.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Euro 2016 - sponsored by Entroncamento



Stade de France (Saint-Denis - Paris) - 22 de Junho de 2016


Stade de France (Saint-Denis - Paris) - 10 de Julho de 2016

Actualização:
- mais um fenómeno, neste dia 10 de Julho, que mostrava que algo de estranho se estava a passar no Universo (futebolístico);
- outro sinal que demonstra que, no dia 10 de Julho, o Universo não andava nada bem...

sábado, 2 de julho de 2016

O Sporting está (sempre) de Parabéns!


Com o Eric Dier, estaria um 11 completo (e de grande nível!).

E, apesar de tudo, quero acreditar que o penalty contra a Polónia foi a única coisa que Cristiano Ronaldo obrigou Moutinho a fazer, não sendo necessário chamá-lo para constar nesta bonita prenda.
 
(Aurélio Pereira deve estar muito orgulhoso do seu magnífico trabalho)
 
 
Parabéns, SPORTING!!!

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Herói na sombra

(imagem retirada de http://www.gazetaesportiva.com)


Numa selecção com ADN "verde", as vitórias têm de ter, obrigatoriamente, 2 denominadores comuns: 
- sofrimento até ao fim;
- uma defesa decisiva de Rui Patrício;

Rui, como bem sabes, hoje as luzes não vão incidir sobre ti. Não é esse o protocolo. 

sábado, 4 de junho de 2016

Época de Santos

Ontem tiveram início as Festas de Lisboa, uma festividade que dura o mês inteiro de Junho e que, entre os lisboetas, é mais conhecida como "Santos".

Nesta folia que envolve a cidade de Lisboa, a bebida mais vendida é a cerveja. Claro que cada um bebe a cerveja da maneira que melhor lhe convém. Uns preferem em caneca, outros em lata, traçada ou em imperial.

A Travessa da Queimada, localizada em pleno coração lisboeta, num bairro bem tradicional (Bairro Alto), e que leva esta coisa do(s) Santos muito a sério, não podia dissociar-se da festa que, na verdade, já começou há uns meses atrás. Ali, mais do que as quantidades de cerveja que ingerem, o que torna os indígenas únicos é a forma como a bebem, junto dos seus pares e, especialmente, com os seus patronos. Este ano, pois as tradições são para se manter, dão continuidade à arte que os tornou famosos, bebendo as famosas imperiais de joelhos (até devem dar espectáculo quando têm direito a voucher do Museu da Cerveja).


Este ano, até já têm música para a Marcha, que teve um 1ª ensaio geral no Marquês de Pombal, num acto de grande comunhão entre os patronos (quem canta a música) e os "bairristas".



Santo Ivan já se acabou
O São Guedes está-se a acabar
São Renato, São Renato, São Renato
tira-a cá pra fora,
para eu brincar...
 

domingo, 10 de abril de 2016

Neo-Realismo (intemporal)


Hoje, no escritório, tive uma pega com o Ribeiro (...). É um tipo ordinário! Fala sempre em calão e desafiou-me para a rua. É sócio do Benfica, ainda por cima, e gente de águia na lapela não me convence. É um fanfarrão malcriado que me repugna. À saída deu-me dois estalos e prometeu repetir a façanha.
  Alves Redol, Anúncio, 1945.