terça-feira, 22 de agosto de 2017

Exorcismo


Em vésperas de um jogo muito importante para o Sporting (pelo prestígio, dinheiro, confiança e afirmação), relembrei-me de um péssimo capítulo da nossa História
E relembrei-me não por querer agoirar ou colocar pessimismo no jogo na Roménia, mas porque preciso de me afastar destes episódios malditos - demónios autênticos.

A eliminatória da, extinta, Taça UEFA contra o Casino Salzburg é dos acontecimentos mais tristes que vivi como leão (só suplantado pela derrota com o CSKA, também na UEFA). 
Pela forma como aconteceu, pela minha tenra idade (13 anos...), e pela equipa que tínhamos, foi uma desilusão enorme, criando traumas que veria repetidos, 1 ano depois, em Viena com o Rapid.

A minha história com o Casino também se conta em 2 capítulos: 1ª mão e 2ª mão.

Na 1ª mão, no dia 24 de Novembro de 1993 (já lá vão 24 anos...), desloquei-me a Alvalade com o meu pai e amigos (Gil e Piri), num quarteto que rumava a essa casa, em todas as 4ªs feiras europeias, desde da gloriosa caminhada da equipa de Marinho Peres (1990/91).
Após termos eliminado o Kocaelispor (Turquia) e o Celtic (Escócia), naquele que foi dos melhores ambientes que vivi em Alvalade (graças ao nosso público, mas com muito mérito da claque escocesa), parti confiante para esta eliminatória. 
A equipa encontrava-se bem. Tínhamos Cadete, Valckx, Balakov, Figo, Cherbakov, Paulo Sousa, entre outros, e éramos bem liderados por Bobby Robson, Manuel Fernandes e Mourinho. Na Liga, seguíamos em 1º, algo raro na minha memória.

O jogo correu bem. 2-0, com um golão de Cherbakov e outro de Cadete. Creio que ainda enviámos uma ou duas bolas aos ferros (teria dado jeito terem entrado...).
No final, contente com exibição e confiante com o resultado, olhei para o meu pai que só abanava a cabeça e que estava visivelmente desiludido. Questionei-o acerca do seu desagrado, e ele só dizia: "devíamos ter metido mais um golo"
No meu desconhecimento acerca daquilo que o Sporting pode fazer para nos surpreender, ainda lhe disse (e como me arrependo... - e tenho a clara imagem deste episódio na minha cabeça): "Pareces um benfiquista! Esses é que estão sempre a protestar contra a própria equipa. Nunca estão satisfeitos!". Não me respondeu, nem repreendeu (e como deve ter doído tal insulto), e só voltou a falar em casa.

Chegados a casa, a minha mãe recebe-nos e pergunta logo pelo resultado. O meu pai, encolheu os ombros e, tristemente, respondeu: "2-0, ora bolas..."
Não percebia aquela descrença. Então ele disse-me: "Já tinha combinado com a mãe que, se ganhássemos, pelo menos, por 3 golos, íamos ver a 2ª mão à Áustria. Assim... não vamos."

Fiquei ainda mais zangado com ele. Porra, com 2-0 não dá para ir? Ainda por cima nunca andei de avião e nem sequer fui a Ayamonte! Irredutível, a decisão paterna manteve-se.
Então ele foi à sala, e junto dos folhetos da viagem à Áustria para ver o Sporting, guardou o plano de jogo da 1ª mão, comprado nessa noite. Aí ficaram, até que na semana passada, resolvi abrir essa pasta e fotografar, tendo sido "publicados" nesta conta de Twitter, dirigida por um grande leão (um forte abraço para ele!).


15 dias depois, dia 7 de Dezembro, um mês tradicionalmente fatídico para o Sporting, eu e o meu pai pusemo-nos à frente da Tv para assistir à 2ª mão. De porta fechada, em isolamento para o resto da casa, assistimos à derrocada. Exibição péssima e golos falhados. Só 1 golo bastaria para se ser feliz.

Quando, perto do minuto 90, Costinha dá um frango para o 0-2, percebi que, com 13 anos, estou ainda mais próximo da infância do que da adolescência. As lágrimas começam a correr... Logo a seguir, ainda antes do prolongamento, Capucho atira uma bola ao poste. Azar, azar. 
Abandonei o meu pai e não vi o prolongamento (ainda hoje não sei como foi o 0-3). Refugiei-me num canto da casa e chorei agarrado à minha mãe. Chorei, chorei e chorei.
A minha mãe, coitada, só me tentava ver que aquilo "era só futebol" (e era), e que não valia a pena tamanho compromisso e tristeza. Mas, naquele momento, eu não queria saber.
Naquelas lágrimas, estavam anos e anos de derrotas e de nunca ter visto o meu clube ganhar. No dia seguinte era dia de escola, e lá estariam 20 lampiões à minha espera, para perpetuar a desilusão, com crueldade própria da idade. Esses mesmos lampiões, os que estão sempre a ganhar.
O meu pai aparece e confirma o desastre. Ficámos por ali.
Em Salzburg começou o fim dessa época, às mãos de um Sousa Cintra, com Coração e Garra de Leão, mas sem cabeça para nos governar.
Só muito tempo mais tarde agradeci ao meu pai o facto de nunca termos ido à Áustria. Ainda bem que ele não cedeu ao meu entusiasmo e colocou a sua "experiência de Sporting", para perceber que, aqui, nunca nada está certo. E o Sporting consegue sempre desiludir-nos, da pior forma.

Dali para a frente, só mais uma vez caíram lágrimas de tristeza pelo Sporting. No 3-6, contra o SLB (do quarteto que ia a Alvalade, só fomos 3 - o meu pai não quis ir ver o jogo). 
Depois disso, secou.


É preciso que estes episódios comece a fazer parte de um Passado longínquo. O Sporting, pela sua grandeza, investimento e qualidade no plantel, não pode acumular derrotas e humilhações. Amanhã, em Bucareste, só temos de ter um pensamento: Vamos passar a eliminatória!

A nossa Paixão pelo Sporting é diferente da que vemos nos outros adeptos pelos seus clubes. Não digo que seja melhor. Não há arrogância neste pensamento. 
Mas, apesar da diferença que apregoamos, o desejo de quando vemos a nossa equipa a jogar é o mesmo: VENCER.

(deixem-se de merdas)


ps: uma vez que não tive acesso ao computador entre sexta-feira e hoje, e com a aproximação ao jogo da Liga dos Campeões, não fiz um post sobre a excelente vitória em Guimarães
Quando se ganha (daquela forma), há pouco a escrever. Foi bom, muito bom. Fomos uma equipa Grande, como há muito não se via. Jorge Jesus fez o óbvio: devolveu um 3º elemento ao nosso meio-campo (Bruno Fernandes - grande jogador!), e deu a Adrien e Battaglia a função de lhe passar a bola, e não de a transportar. Depois, existiu imprevisibilidade ao processo atacante, com as trocas dos extremos. A evolução (e resultado), foi notória. 
Uma nota final para a excelente entrada de Iuri Medeiros: inteligência, criatividade, rapidez de execução e simplicidade de processos. É isso que ele traz. É ver o golo de Adrien e está lá tudo. Espero que tenha sido o 1º passo para a sua definitiva afirmação no Sporting. É aí que o queremos ver jogar.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Champions? Aqui? Não me façam rir...


Apesar das constantes "lições de sportinguismo" por parte do Presidente, e dos recorrentes ataques contra a sua militância e apoio à equipa (estes vindos do Treinador), mais uma vez, os sócios e adeptos lá foram a Alvalade ver jogar o Sporting. Ontem, num feriado e no centro das férias de Verão, foram "só" 46 mil espectadores. Realmente, muito poucos.. Ainda mais quando o Sporting é um clube cheio de vitórias no Futebol, e que brinda sempre a assistência com exibições de luxo.

Esta eliminatória vale muito para o Sporting. Se, para uns, vale dinheiro (para gastar em 15 reforços e ordenados desproporcionais ao rendimento), para outros vale Prestígio, Orgulho e Confiança para o Futuro. De igual modo, uma passagem à fase de grupos da Champions League recoloca o Sporting no espaço dos grandes clubes. Mas é aí que merecemos estar? 

À imagem do último jogo, apesar da vontade em resolver cedo o jogo, pressionar alto e impor alguma velocidade, a verdade é que a equipa do Sporting jogou pouco, muito pouco. 
Os erros que se viram nesse jogo, voltaram-se a repetir. O que mudou? A qualidade do adversário (este Steaua é superior ao Vitória, mas inferior a um Rio Ave), e ausência de erros parvos na defesa, à imagem do penalti que deu a última vitória.

O jogo que, hoje, o Sporting oferece "é uma seca". Tudo previsível. Bola do Central para o Lateral. Do Lateral vai para o Extremo. O Extremo corre sozinho com a bola. Extremo cruza (geralmente mal), para um Dost cada vez mais (e mais marcado). Este tipo de jogo, tão bem "trabalhado" no final da época de Leonardo Jardim e em todo o curto reinado de Marco Silva, voltou ao Sporting.
Bola no meio, tabelinhas, jogo entre-linhas, avançados de frente para o jogo, bola em espaços interiores.. tudo isso é uma miragem. 
Juntando a isto, os únicos jogadores do plantel que, no meio-campo, sabem o que fazer com uma bola (William e Bruno Fernandes), não jogam. Ficam Battaglia e Adrien. Um meio-campo sem cérebro, que pode dar jeito em alguns contextos, mas nunca num jogo em que tem de se Vencer e perante adversários tão fracos. Pior que isso, é constatar que Adrien está fisicamente de rastos, não podendo contribuir de forma tão eficiente no jogo. Então porque joga? É mais um dos mistérios que caracterizam a preparação desta equipa.

É claro que todas estas limitações e banalização táctica da equipa, convergem num futebol pouco apelativo, apático e nada perigoso. Os adversários estão, quase sempre, confortáveis. Contam-se pelos dedos de uma mão, as reais oportunidades de golo (e já estou a exagerar).
Assim, é muito difícil...
O Sporting, com um mês de trabalho de Jorge Jesus, jogava muito mais futebol do que joga ao fim de 2 anos. Isto não é normal.

A forma como Acuña e Gelson são "largados", com a bola, à sua sorte define bem a tristeza exibicional e a carência de soluções que o actual jogo do Sporting oferece. A isto, acresce-se uma total incompetência para se aproveitar os numerosos lances de bola parada que surgem perto da área adversária. Estes, ou resultam em cruzamentos "balão", ou morrem no 1º adversário que encontram, ou correspondem a "lances estudados" dignos de uma equipa de INATEL que nunca treina junta. 
Nos últimos 5 minutos de jogo, apesar de já se estar a jogar contra 10 há 10 minutos (e estar 0-0...), JJ brindou-nos com a presença de Iuri Medeiros em campo. Nesse período, marcou um livre e um canto. Alvalade há muito que não via uma bola tensa para dentro da área adversária. Se Iuri passar a jogar mais minutos, de certeza que vai perder essas qualidades. Por isso, obrigado JJ por manteres este jogador longe dessa perdição. Há que mantê-lo assim, puro.

Estes 2 últimos jogos, em casa, deviam elevar a equipa e trazer-lhe segurança exibicional e confiança para os desafios (mais duros), que terão lugar no sábado (Guimarães) e 4ª feira (Steaua, na Roménia). Mas isto é o Sporting. E sendo assim, optamos sempre pelo caminho mais difícil. Deve ser esta a adrenalina que nos move (e que, lentamente, nos mata).

Mas nem tudo é mau. Se formos para a Liga Europa (onde estão as equipas do nosso nível), garantimos, já, 3M de €. Não é muito, mas já ajuda a pagar meia-época de Jorge Jesus. Ok, falta o resto. Mas 3M sacam-se bem de uma venda de Schelotto, Marvin, Douglas, Rossel, Slavchev ou Heldon.
Bem, esta parte era a brincar.

sábado, 12 de agosto de 2017

Pode este Leão voar?


Mais de 42 mil pessoas assistiram, ao vivo, ao 1º espectáculo em Alvalade da tournée Sporting - 2017/18.
Se na Vila das Aves o Sporting tinha sido "profissional", ontem o leão resolveu subir a parada e aumentou-lhe mais "garra", velocidade e, também (embora ainda pouca), Qualidade. Fiquei com a sensação que os jogadores deram tudo. Por isso, saí satisfeito.

O 11 sofreu algumas alterações, face ao último jogo. Daquelas trocas que, nesta fase, podem dizer isto:
a) o jogo a seguir é mais importante que este, rodando a equipa para haver descanso;
b) já há limitações físicas em jogadores importantes (Coentrão);
c) alguém importante vai sair em breve (William);

Confesso que, para este jogo e oponente, o 11 que terminou estava mais próximo daquilo que eu faria. Jogaria com Dost e Doumbia, Adrien a 6 e B. Fernandes a 8.
O Vitória, veio passar 90m do seu tempo a Alvalade. Só. Não quis mais nada do jogo. Face a esta postura, precisamos, claramente, de mais presença na área (Doumbia), e Inteligência e Criatividade na união entre meio-campo e ataque (B. Fernandes). 

A entrada em jogo foi excelente. 15 a 20m de alta rotação, pressão alta e rapidez. Em termos de futebol, foi o melhor período. Mas esse domínio, valeu-nos 2 oportunidades de golo (Acuña e Gelson). É pouco, muito pouco. O Sporting tem deficiências ao nível da definição. O último passe é geralmente mau, não levando sequer a criar situações de perigo.
Gelson, que mais uma vez foi o único criativo em campo (durante muito tempo... Podence esteve muito mal no jogo, muito mal...), continua a ter sérias deficiências na altura de cruzar, soltar a bola, fazer o passe. 
Por outro lado, o nosso jogo volta a ter muitos dos problemas que se viu no passado: está demasiado lateralizado. O campo é demasiado largo, ficando a equipa muito afastada entre si. Há 1 ano, "as fichas" estavam todas colocadas nas correrias de Gelson e na entrega sem limites de B. César. Este ano, voltamos a fazer o mesmo, mas com Acuña. Não pode ser. A baliza está no meio, é por ali que temos (e devemos) ir mais vezes.
Curiosamente (ou talvez não), o momento em que criámos mais situações de golo, foi quando Doumbia e B. Fernandes entraram, já com Acuña "morto" e Gelson muito cansado. 

A vitória acabou por chegar, perto do fim, num penalti indiscutível. Faltas iguais aquelas, B. Paixão fartou-se de marcar no meio-campo. Na época passada, B. César cometeu penalti igual sobre Lindelof. Se é uma estupidez por parte do defesa? Sem dúvida.

3 pontos. (Sempre) Muito importante. Mas convém relembrar que, até agora, defrontámos duas equipas fracas, sem capacidade e vontade de nos incomodar. A dificuldade vai crescer e nós temos de crescer também, rapidamente. O ataque tem de melhorar e ser mais eficaz.
Uma atenção especial para a nossa defesa. Para mim, Mathieu foi o melhor jogador em campo. Gostei muito, a sério. Fui (sou) contra a sua contratação. Espero que me engane para admitir o meu erro. Coates também esteve muito bem. Jonathan e Piccini estiveram regulares a defender (só). São estes os jogos (e adversários), onde devem jogar, para ajudar a descansar os "titulares". É isto um plantel. É, também, por isto que se contrata 11 jogadores (e ainda não acabou...).

3ª feira vem aí um jogo importante. Vale milhões de €€. Acredito que sim. Por isso mesmo é que não confio nestes jogos. E a nossa história diz-me que tenho razão para me sentir assim. Vamos ver...
 

Uma nota final para o William Carvalho.
William é, juntamente, com Balakov, Figo, André Cruz, Schmeichel, Jardel e Pedro Barbosa, o melhor jogador que vi no Sporting. É de top-Mundial. Não percebo como é que possa ir para um West Ham, assim como não percebo como é que passou aqui 4 anos, sem que nenhum clube (de topo) o levasse.
E a última coisa que eu, também, não percebo, é a existência de negociações para a sua saída. A cláusula de rescisão é de 45M (é baixa, mas é a que é). Não há discussão. Paguem e levem-no. Se é para negociar, que seja por mais, pois face à sua qualidade, irá sempre barato.

Boa Sorte, William! Foi um enorme prazer.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Vamos ao Circo - nova temporada


Teve ontem início a nova temporada de Circo (do futebol português), com o alto patrocínio da Liga de Clubes, Federação Portuguesa de Futebol, Ministério Público e, como é óbvio, Estado português.

À imagem das temporadas anteriores, a cada companhia creditada compete fazer 34 espectáculos, de Agosto a Maio.
O Sporting, como não podia deixar de ser, e uma vez que é uma das companhias mais antigas do circuito nacional, será parte integrante deste entretenimento. De forma intercalada, fará 17 espectáculos longe da sua casa, fazendo os restantes 17 no seu domicilio, onde cerca de 30 mil espectadores já garantiram o seu lugar para toda a temporada (eu já tenho o meu!).

De Chaves a Portimão, a tournée leonina tentará chegar ao maior número de locais possível, com o objectivo de poder ser vista (e acarinhada), pelos milhares de fãs que tem por todo o país, num fenómeno de grande orgulho e beleza, mas que cada vez é mais difícil de explicar (e acreditar). Pena que ainda não seja desta que se possa chegar mais ao interior. Mas também é para isso que serve a Equipa B. Por exemplo, ainda ontem esta formação foi à Covilhã, num convívio com o Sporting local, chegando às gentes muitas vezes esquecidas da Beira interior. Diz quem viu, que a festa foi boa. Ainda bem.

A fim de manter sempre uma audiência cativada (e ilusionada), o Sporting mudou radicalmente o seu elenco. Para já (mas virão mais...), 11 caras novas, numa prática transversal aos últimos anos. Há quem chame "contratações cirúrgicas", eu acho que é mais uma patologia (isso, vou pensar que é uma doença, só para não me chatear).
Uma vez mais, a promessa de ter um elenco mais novo, com alunos vindos do "Chapitô" de Alcochete - cuja Qualidade e grande preparação é indiscutível - ficou por aí mesmo, promessa... 
Das caras novas, Coentrão, Bruno Fernandes, Doumbia e Acuña são, claramente, reforços. Mathieu e Battaglia podem vir a ser boas surpresas (veremos). Salin é jogar pelo seguro. De resto... o mais certo é terem tanta relevância e destino como tiveram os "cirúrgicos" Castaignos, Douglas, Petrovic, Marvin, Meli, etc, etc.

A tournée começou na Vila das Aves. Apesar de estádio cheio para ver o Sporting, este apresentou-se com uma postura, meramente, profissional. Cumpriu a sua missão. Não digo que esteja mal. E sendo o 1º espectáculo, os artistas não quiseram logo (nem podiam), dar tudo. Foram lá, tocaram os clássicos, respeitaram quem comprou bilhete, mas não houve lugar a encore. Agradeceram ao público, arrumaram a bagagem e partiram rumo a Lisboa onde, já nesta sexta-feira, terão novo espectáculo contra o Vitória de Setúbal, em Alvalade.
Na verdade, face ao alinhamento, seria difícil o jogo ser animado. Para existir velocidade, só existia um jogador em palco: Gelson
Claro que não surpreende que tenha sido por ele que tenha existido palmas e golos. Muito bem secundado pelo Marcus "Belarmino" Acuña, Gelson foi a figura de uma vitória justa, mostrando que inícios de época é com ele.
De destacar a regularidade de Rui Patrício e William, assim como de Coates e, agora, Coentrão.

Jorge Jesus, o Mestre de Cerimónias pela 3ª temporada consecutiva, embora sem nunca admitir, lá percebeu que o espectáculo estava longe de entreter. E, contra a sua vontade, teve de lançar Podence, acrescentando Qualidade e Velocidade ao jogo. Que surpresa... (e vindo do "Chapitô"!)
Fico preocupado, mas não surpreendido, com a presença deste jovem talento no banco (e Iuri na bancada... alguém tem de fazer de F.Geraldes neste plantel, não é?). A intenção de JJ é óbvia: ali, naquele lugar, só há lugar para Alan Ruiz. O modelo é esse e só assim se explica a presença de Bruno Fernandes naquela posição.

Uma nota final. Vejo que JJ não quer mudar muito face aos espectáculos da temporada passada. Não sei se é boa ideia. O elenco parece melhor (apesar de algumas saídas que não gostei: Semedo, Esgaio, Beto, Gauld, Matheus  Pereira e F.Geraldes), mas há traços que eu mudaria. Trazer para defesa-direito alguém igual ao Schelotto é querer usar e replicar sequências cómicas que, para nós adeptos leoninos, já não têm assim tanta piada. Mas enfim... estamos só a começar.

Uma homenagem à voz de um leão, que precocemente nos deixou, com um tema que podia bem ser o hino da palhaçada que, alegremente, fazemos parte.


quarta-feira, 21 de junho de 2017

#DiaDeSporting (dia de memórias do coração)

(imagem retirada de: https://twitter.com/Sporting_CP)


Dia 26 de Março de 2015. Lançamento da 1ª pedra do novo Pavilhão João Rocha, a futura casa das modalidades do Sporting Clube de Portugal.
No meio daqueles que testemunharam este acto simbólico, está o meu pai (acompanhado pelo meu tio, companheiro de tantas viagens e sofrimento leonino...). Foi a última vez que visitou o Estádio José de Alvalade, casa do (seu) Sporting e sua "casa" também. 
Não deixa de ser simbólico que o último local, associado ao Sporting, onde esteve seja num espaço onde passou muito do seu tempo, o "velhinho" Estádio José de Alvalade.

Hoje é um dia bom para o nosso Clube. É um dia feliz para todos os leões que, sendo atletas, dirigentes, técnicos ou simples anónimos sócios e adeptos, deram muito para a História e Grandeza desta centenária Instituição.
Por isso, é também um dia de Memória e Saudade (muita..).

Parabéns a todos aqueles que permitiram que esta obra fosse possível. Era, claramente, uma parte que faltava no nosso Património.
Que seja um espaço onde se viva Sporting, das suas Modalidades, Ecletismo, de Vitórias e de Desporto. E que todos aqueles que ali entrarem sejam, acima de tudo, dignos da sua utilização. 

Infelizmente, não pude acompanhar o meu pai no dia do lançamento da 1ª pedra nem estarei, hoje, na sua inauguração.
Mas fica aqui a promessa: no 1º jogo que for ali assistir, levarei a sua camisola da "Missão Pavilhão".

  

domingo, 14 de maio de 2017

Ide em paz (e quem quiser que vos acompanhe)


Que o Sporting não tem treinador (para mim, acabou depois do jogo em Tondela, quando não quis ver a solução e o futuro), já todos percebemos. Veremos é se ainda temos Presidente...

À saída de mais uma época desastrosa e a escassas semanas de entrar numa nova (que não augura nada de diferente ao que estamos habituados), gostava que me esclarecessem umas dúvidas:

- qual a diferença entre um Bojinov e um Castaignos?
- qual a diferença entre um Gauld e um Rubio?
- qual a diferença entre um Onyewu e um Sarr?
- qual a diferença entre um Boulahrouz e um Douglas?
- qual a diferença entre um Xandão e um Ciani?
- qual a diferença entre um Miguel Lopes e um Schelotto?
- qual a diferença entre a má venda do Carriço e a má dispensa do André Martins?
- qual a diferença entre um Ventura e um Jug?
- qual a diferença entre um Joãozinho e um Marvin?
- qual a diferença entre um Elias e um... Elias?
- qual a diferença entre o gasto cego e despropositado num Pongolle e num Alan Ruiz?
- qual a diferença entre a insistência cega num Capel ou num Bryan Ruiz?
- qual a diferença entre um Pranjic e um Markovic?
- qual a diferença entre um Gelson Fernandes e um Petrovic?
- qual a diferença entre um desterro para Israel do Adrien e 3 empréstimos (sem justificação) de Iuri?
- qual a diferença entre a má venda de João Pereira em 2012 e a péssima dispensa em 2017?
- qual a diferença entre ter um Dier preso só por 5M ou vender um Cédric por 5M?

Até ver, a diferença é só uma: um vergonhoso 7º lugar...
É isso que segura esta Direcção e é isso que ainda se usa para argumentar a favor de quem tem feito tão pouco pelo sucesso desportivo deste clube.
Ah... e também há um Pavilhão, mas esse foi pago pelos sportinguistas, por isso não deveria contar.

É tempo da Direcção dirigir, a sério, o clube. Um clube que é histórico mas que (já) não é Grande.
#MaldiçãoJoãoRocha

Espero sinceramente que Luís Martins já esteja a preparar a próxima época (com Jesualdo Ferreira, se fosse possível). 
Não peço um Sporting campeão. Peço Respeito, Humildade e Trabalho. Não deve ser assim tão difícil.


ps: em quase 25 anos de sócio e 30 como adepto, o Sporting já me deu quase todas as "alegrias" possíveis: 
- derrotas e eliminações humilhantes contra equipas do 3º mundo futebolístico; 
- derrotas e goleadas contra rivais históricos; 
- perder final da Taça com a Académica; 
- perder final europeia em casa, apesar de estar a vencer; 
- perder a Liga a duas jornadas do fim; 
- eliminações da Taça, em Alvalade, contra equipas de escalões inferiores; 
- derrotas consecutivas; 
- 7º lugar;

Como adepto, poderia pensar que já vivi de tudo. O pior é que o Sporting tem sempre a capacidade para nos surpreender. E um dia virá algo pior do que tudo isto que mencionei. É esperar, eles conseguem...

segunda-feira, 8 de maio de 2017

(Re)Comece a festa...


Sinceramente, o que haverá mais para dizer?
Creio que não é preciso que se diga alguma coisa. Aquilo que se viu ontem, em Alvalade, é o retrato deste clube:
- Estádio (mais uma vez) cheio;
- Apoio enorme;
- Jogar para nada (a não ser Orgulho, mas isso é uma coisa banal que não passa da bancada para o relvado, onde todos são imunes a esse tipo de valores);
- Futebol de merda;
- Utilização de jogadores que todos sabem que são uma merda;
- Oferecer golos ao adversário (todo o lance que dá o penalti é uma falta respeito pela profissão; um gozo...);
- Reabilitação de clubes e treinadores moribundos (que há 5 dias estavam a ser apertados por 70 adeptos... e perdiam há 7 jogos...);
- Possibilitar aos sócios e adeptos do Sporting Clube de Portugal mais uma humilhação. Sim, mais uma...

Não vale a pena reflectir ou tentar explicar o que, mais uma vez, se passou. Há algo muito estranho, venenoso até, que ainda nos move a seguir e acreditar no Sporting.
Ninguém pode ter ficado surpreendido por ver este Bryan Ruiz a titular.
Ninguém se surpreendeu por ver Schelotto todo "roto" aos 5m e a cometer erros e mais erros (vejam o lance do penalti, por favor...).
Ninguém se espantou por ver que Bruno César é um bom suplente e não um bom titular (e sem pé direito...).
Ninguém levou as mãos à cabeça quando viu uma 1ª parte banal, sem rasgo e velocidade, jogo interior e zero ocasiões.
Quem ficou surpreendido por ver que Matheus foi o primeiro a ser substituído? Ninguém...
Alguém teve dúvidas que Campbell e Castaignos estavam à frente de Francisco Geraldes nas opções? E que as suas exibições iriam roçar o ridículo? Ninguém...
E quem é que, ao ouvir/ler as justificações do treinador, ficou surpreendido pelo "sacudir a água do capote" e pela justificação da humilhação por via da "juventude", "inexperiência" e "mau plantel"? Ninguém...
Por fim, haverá alguém que nunca pensou que o Presidente, uma vez mais e perante tamanha humilhação, fizesse uma comunicação sem qualquer nível (que devia ser interna), iniciando mais uma "caça às bruxas" mas sem nunca assumir que é o PRINCIPAL RESPONSÁVEL desta época humilhante (estamos mais perto do 4º lugar do que do 2º... ainda vamos rezar para que o tetra-campeão "empate" o Vitória na próxima jornada... ao que chegámos...).
Ontem, Bruno Carvalho deu o mote para a pré-temporada. A crise está instalada, os egos vão defrontar-se mas ninguém vai olhar ou cuidar do verdadeiro doente, o Sporting.

Todos já toparam o que é o Sporting. Por isso o apelidaram de "Comédia de Portugal". Só nós não conseguimos (ou não queremos) ver isso, mas foi no que ele se tornou. Só que neste Circo em que este clube se tornou, os palhaços não estão no palco, estão na bancada.
Até quando?

Caros jovens leões que, ontem, visitaram Alvalade pela primeira vez,
apresento-vos o Sporting Clube de Portugal. Um clube que nos vende Ilusões mas que teima escrever a sua História por via de repetidas Desilusões.

Não há quem acabe de vez com o buraco psicológico (e que já é genético), em que este Clube mergulhou. Cada vez tenho mais dúvidas que volte a ser aquilo pelo qual me venderam - um Vencedor (e que, em 36 anos, eu nunca vi).

Não é justo pedir a alguém que apoie o Sporting.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Números de equipa Grande (uma ajuda do grande Podence)


Não sou muito de usar números e percentagens quando falo de futebol. Não é porque não considere válida a sua aplicação, mas sim porque percebo pouco de futebol, correndo o risco de estar analisar dados parciais, ou por não estar a considerar, correctamente, todas as variáveis. Há cerca de 3 meses fiz um pequeno exercício desses (ver aqui), para tentar mostrar que tanto Esgaio como Jefferson eram os mais fiáveis laterais que o Sporting tinha no plantel (continuo a pensar assim).

Hoje trago um pequeno resumo (estatístico) da presença de Podence no 11 do Sporting. Não fui "picado" por mais uma excelente exibição sua, ontem em Braga. Quem por aqui passa sabe que sou fã deste jovem jogador e, acima de tudo, considero que é melhor jogador do que muitos que estão no plantel (e que jogam mais tempo que ele), assim como acho que a sua presença em campo oferece outro tipo de soluções e de jogo ao nosso ataque (técnica, velocidade, 1º toque, inteligência e muita dinâmica).

É comum ouvir Jorge Jesus a elogiar Dost e Alan Ruiz. Se os elogios ao holandês são mais que naturais, já ao argentino... são, no mínimo, um pouco forçados. Mas considero normal, nem que seja para motivar. O problema é que se os elogios são para motivar, seria importante ouvir o mesmo registo para outros jogadores. 

No meio dessas loas, Jorge Jesus afirmou mesmo que Dost e Alan Ruiz eram a melhor dupla atacante da Liga. Talvez seja, não sei (se alguém quiser fazer uma estatística para Alan Ruiz, eu gostava de comparar).
O que eu sei é que sempre que Podence esteve mais de 45m em campo (e isso só aconteceu por 3 vezes...), Dost marcou 10 golos e o Sporting marcou 11. Foi assim em Tondela, com o Boavista em Alvalade e, ontem com o Braga. O Podence fez 224m no total desses 3 jogos. Aí, Dost marcou 1 golo por cada 22,4m. Já o Sporting, nesses 3 jogos, marcou 1 golo por cada 20,4m. Nada mau..
Coincidência ou não, o que é certo que os resultados em Tondela e com o Boavista correspondem, nesta época, às maiores goleadas do Sporting na Liga (curiosamente nos jogos onde Podence jogou mais de 75m - nunca completou os 90m).

Desde que regressou ao Sporting, Podence participou em 11 jogos na Liga, com os seguinte resultados:
- 9 Vitórias
- 1 Empate (1-1 com o SLB, onde entrou aos 80m, já com o resultado feito)
- 1 Derrota (1-2 no Dragão com o FCP, onde entrou aos 81m, já com o resultado feito)

Pelo meio daquilo que parece ser uma 2ª volta boa em termos de resultados, há o empate em casa com o Vitória de Guimarães (1-1), onde Podence, estando no banco, não foi utilizado.
Resumindo, com Podence em campo, o Sporting venceu 82% dos jogos, empatou 9% e perdeu 9%.

Podence completou, até agora, 348m, divididos por 11 jogos, o que dá uma média de 31,6m/jogo. É o 22º jogador mais utilizado nesta época. A título de exemplo, e só para se ter uma ideia da sua utilização/rendimento, Podence tem:
- cerca do dobro dos minutos de Slimani (que ainda jogou 2 jogos);
- mais ou menos o mesmo que Castaignos (352m);
- quase metade do tempo de Douglas, André, Elias e Markovic;
- menos 900m que Campbell (o equivalente a 10 jogos);
- menos 1300m que A. Ruiz (o equivalente a 14 jogos);

Mas como é o comportamento defensivo com Podence em campo? Convém recordar o alerta de Jorge Jesus para a "falta de cultura táctica defensiva" dos jovens formados em Alcochete. Bem, nesses 348m que Podence esteve em campo, o Sporting sofreu 2 golos (Murillo - Tondela; do inevitável Rui Fonte, o 2º golo de ontem do Braga), e marcou, nesse mesmo período, 13 golos. Com Podence a jogar, o Sporting tem uma média de 1 golo sofrido a cada 174m, marcando 1 golo por cada 27m (se isto estiver mal, alguém que me avise, sff..).


Ontem fiquei, como é óbvio, feliz com a nossa vitória em Braga. Após o jogo pouco conseguido de Bruno César, Alan Ruiz (e Schelotto, e B. Ruiz), com o SLB, dizia o bom senso que existissem alterações no 11 titular. Não. Só Marvin recuperou o seu lugar. Até à lesão de A.Ruiz, só Gelson acelerou o jogo. Depois, entrou Podence e o jogo do Sporting viu a luz. 
Preocupa-me esta "teimosia" de Jesus. A insistência nos mesmos, apesar do seu fraco rendimento.
Como será contra o Belenenses? Sem Gelson, Podence e Alan? Voltarão Matheus e Francisco Geraldes? Ou serão B.Ruiz e o desmotivado e dispensado Campbell?
Jorge Jesus tem mais uma oportunidade para demonstrar que futuro quer para o Sporting.


Duas notas finais:
1. O 3º golo de ontem é tudo o que uma equipa grande pode e deve fazer. O entendimento da dupla Podence/Dost foi muito bom, virando Dost para o jogo que, por sua vez, serviu muito bem Gelson. Este, entrou e temporizou, esperando que Schelotto fizesse de Maxi Pereira (às vezes faz isso), o italo-argentino olhou para a área e encontrou isto:


Soluções na área, além do sempre tão isolado Dost. Desta vez, os centrais adversários não puderam ir só ao Dost e este, solto, atacou o espaço e o cruzamento. Golo! O trabalho de B. Ruiz e Podence é muito bom e Schelotto fez, muito bem, o que tinha de ser feito. Até Adrien está no sítio certo. Isto é uma equipa grande a atacar como tal.
Imaginem os lances de Gelson contra o SLB. Quantas opções havia na área? Só Dost? Dost e Alan? Quantos lances de perigo se perderam durante a época por falta de gente na área?
A nossa ineficácia e insucesso nesta temporada passou muito por isto...


2. Futsal do Sporting. Foi doloroso para todos nós ver a vossa/nossa derrota. Mas conhecendo esta equipa (liderados exemplarmente por Miguel Albuquerque e Nuno Dias), sabemos que a vontade de Vencer está sempre presente. E isso deixa-nos descansados e, sempre, Orgulhosos.
Vocês são vice-Campeões Europeus. Nunca se esqueçam disso (é que não é para todos).

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Preparar o Futuro


Em abaixo, apresento duas sugestões daquilo que considero que deveriam ser os 11s titulares do Sporting até ao final da presente época. De igual modo, acrescenta-se os restantes elementos que devem constar na convocatória oficial de 18 jogadores.
A ideia, ao surgir nesta fase, não tem origem naqueles lugares-comuns como, "já que a época está perdida" ou "agora devia-se dar oportunidade aos miúdos". Não, nada disso. A sugestão resulta da tentativa de se começar a resolver duas questões que, creio, serem muito importantes:

- preparar o futuro imediato (próxima época);
- jogar bom futebol (marcar mais, controlar mais, defender melhor);


Uma vez que acredito que tanto Adrien como William devem sair  no final da época, essas posições devem sofrer mais rotação, a fim de se procurar alternativas internas. No mesmo sentido, as laterais devem ser profundamente reformuladas mas seria importante, nesta fase, testar (definitivamente) o André Geraldes e Esgaio, assim como dar uma última oportunidade ao Marvin (só porque foi o último lateral contratado). Visto que Spalvis tem vindo a treinar com a equipa principal, se estiver fisicamente apto, creio que deveria constar das convocatórias para ir tendo minutos. Se não for o caso, então que se troque por Gelson Dala que tem estado em destaque na, bem orientada, Equipa B.

Os 11s correspondem, igualmente, a dois dispositivos tácticos diferentes, tentando tirar maior rendimento dos melhores atributos dos jogadores seleccionados.

Para mim, todos os elementos que não figurem nos 19 (e que fazem parte do plantel principal actual), devem ser, no final da época, vendidos ou dispensados.


 suplentes. Beto; Semedo; Marvin; Adrien; B.César; Matheus; Spalvis  


suplentes. Beto; Semedo; William; A. Geraldes; Gauld; F. Geraldes; Spalvis 

domingo, 23 de abril de 2017

Não se vislumbra qualquer luz


Se quiserem uma crónica curta, incisiva e que consegue espelhar o que se passou no derby de ontem, sugiro um salto a este post do blog És a nossa Fé. Está aí tudo.
 
Se optarem por uma visão mais longa (mas duvido que seja mais acertada), então convido-vos a ler o que vem a seguir.


Vamos iniciar pelo óbvio. Do nosso 11 titular, quantos é que encaixariam no 11 do SLB?
Num dia normal do SLB: William, Gelson e Dost.
Num dia mau do SLB: Coates, William, Gelson e Dost (Adrien é excelente para nós mas, neste momento, não é melhor que Pizzi).

Temos de começar por aqui. A nossa equipa tem menos excelentes jogadores que o adversário (não há Jonas, joga Mitroglou. Cansa-se o grego, entre Jimenez. Qualquer um seria bem-vindo ao nosso plantel). Estamos logo em desvantagem. E pior ficamos quando nem sequer usamos os melhores. 
Ontem, Jorge Jesus voltou a insistir em duas nulidades: Schelotto e Jefferson.
Se um nem sequer é jogador de futebol, o outro já há muito que desistiu de tal ofício. É o típico caso de um funcionário que está de baixa mas que tem de ir trabalhar só por um dia para, assim, poder renovar a baixa. E é o que acontecerá com Jefferson.
 
Depois, uma vez mais, ficou provado que Bruno César é uma excelente opção (mas é só isso), fazendo um jogo péssimo (ausente na 1ª parte; horrível na 2ª), e que Alan Ruiz serve para os Feirenses e Boavistas desta vida. Uma total inutilidade (na 2ª parte esteve um pouco melhor, mas já tinha estado 45m parado na 1ª, e sabemos como isso cansa... teve sair quando já participava no jogo). A isso acresce-se uma total incompetência na hora e na forma como foram feitas as substituições.
JJ resolveu dar o jogo aqueles que "sabem tudo sobre futebol" e que devem ter "cultura táctica defensiva". O resultado foi um jogo medíocre, o pior contra o SLB na era JJ, em que fomos melhores durante os primeiros 15m de cada parte. E é só.

Se colocar em jogo Bryan Ruiz é, neste momento, um gozo, colocar (este) Campbell é um insulto (ao restante plantel e adeptos). Se adicionarmos a entrada de Podence a, somente,10m do fim... então o desastre foi completo. 
Podence tem lugar de caras neste Sporting e ontem, principalmente na 2ª parte, teria sido muito importante, numa altura em que tivemos espaço para matar o jogo. B.César não conseguiu ultrapassar Semedo por uma única vez. Depender unicamente de Gelson para desequilibrar não chega... Podence, em 10m, fez aquilo que os Ruizes e B.César nunca conseguiram fazer - jogar à bola. Jogou entre linhas, ultrapassou adversários, fazendo tudo aquilo que precisávamos para contornar um adversário que sabe (sempre) defender muito bem.

Se este Sporting sofresse um golo de penalti aos 4m e ficasse, aí, em desvantagem no marcador, dificilmente não perderia o jogo. E isso aconteceria-lhe em qualquer estádio desta nossa Liga.

É preciso perceber que, uma vez mais, os nossos melhores jogadores foram os defesas-centrais. Isto quer dizer muito... Gelson e Adrien também estiveram muito bem (mas o físico ressente-se). Os outros excelentes jogadores que o Sporting tem (William e Dost), estiveram muitos furos abaixo e a equipa sentiu a sua falta. Como é tradição, Patrício também esteve bem, num jogo com pouco trabalho... mas sofreu mais um grande golo, numa bola parada (até isto é tradição).

Pois é, as bolas paradas... Foi assim que o SLB empatou. O Sporting não sabe o que isso é. Ninguém sabe marcar um livre, um canto, um livre lateral ou, até mesmo, um lançamento de linha lateral. Os cantos de B.César foram deprimentes e não há palavras para o balão que William enviou na última jogada do jogo. Uma total banalidade que, em muitas alturas, custa pontos e campeonatos.


Uma nota adicional para Soares Dias. Esteve à altura do derby: uma valente bosta.
Avisou tudo e todos, para a porcaria que ia fazer, quando não admoestou Ederson no lance do penalty. Não havia mais ninguém na área. No mínimo, cartão amarelo. Relembro que, na época passada, Patrício foi expulso, na 1ª parte, contra o Tondela por um lance onde tocou na bola, com defesas por perto, e em que a bola não ficou jogável. Critérios..
Depois, perdoou um penalty a um burro italiano sobre Grimaldo e um outro a B.César, em mais um lance de grande incompetência. 
Na 2ª parte, empurrou o Sporting para a sua área e ajudou a defender o empate do SLB. Deixou de ver faltas no meio-campo do SLB e marcou tudo o que caía de vermelho (no estádio, o lance que dá o empate não me pareceu falta. Na Tv, só dá livre).
Uma incompetência total, naquilo que é o "melhor árbitro português". Está tudo dito.


Um plantel mal construído, uma pré-época cheia de equívocos, dispensas em Janeiro sem sentido (meu querido João Pereira...), o abusar fisicamente de jogadores que, agora, não conseguem dar tudo (Adrien, William, Gelson, B. César - até contra o Praiense ou Famalicão tiveram de jogar..), a recorrente utilização e insistência em jogadores que são claramente inferiores a outros que existem nos nossos quadros, e o desprezo revelado por jogadores da formação que jogam muito e que teriam sido úteis na gestão física da equipa (Matheus, Palhinha, Geraldes, Gauld e, até, Podence), correndo o risco de lhe conferir mais qualidade, são as causas para uma época perdida e sem qualquer objectivo atingindo.
 
Não sei o que se trabalha, diariamente, em Alcochete. Não sei o que se prepara para a próxima época (e isso preocupa-me... e muito).
Em tempos, tivemos um treinador com garra, vontade, determinação e que venceu muitos jogos pela sua qualidade maior face aos seus pares e pela leitura excelente que fazia a partir do banco. Não sei se lembram dele:


Sinceramente, gostava de o ter de volta...

domingo, 16 de abril de 2017

Não vi o jogo...


... por isso só posso "falar" do que me contaram:



segunda-feira, 10 de abril de 2017

Falar do quê? E para quem?


Segunda-feira.
O normal seria escrever algumas coisas sobre a jornada que findou. Deveria vir para aqui dizer que, com a vitória sobre o Boavista, estamos cada vez mais perto de garantir o 3º lugar (mas ainda falta... Setúbal, SLB e Braga - temos tudo para perder pontos.. para Braga e Vitória de Guimarães). Deveria igualmente recordar que, com Podence em campo a equipa tende a ser mais rápida, criativa e imprevisível. Elogiaria a estreia de Geraldes em Alvalade, e rendia-me (novamente) a Dost, à sua qualidade como jogador e ao alto compromisso que tem com o clube e, acima de tudo, com a sua profissão.
De igual modo, seria expectável que voltasse a "bater" em Schelotto e na sua incapacidade para jogar futebol de alto nível (apesar da assistência no 1º golo). Guardaria algumas palavras para a surpreendente exibição (defensiva) de Marvin e, até, alguma esperança em ver em Alan Ruiz um jogador de futuro (quem sabe?). Por fim, os elogios reverteriam para grande utilidade em se ter Bruno César no plantel, para a sorte que temos por existir um jogador de classe mundial como o William Carvalho, e para dizer que Adrien acrescenta muito à nossa equipa.
E sendo quem sou - exigente - no final lamentaria uma goleada que ficou por acontecer, questionava Jorge Jesus por ter excluído Matheus em troca de um (caso) perdido Campbell e o porquê de não se ter forçado o Gelson para levar o 5º amarelo em Arouca.
Tudo isto aconteceria, se houvesse interesse em discutir futebol, só futebol.

Mas o futebol (nomeadamente em Portugal), já não é táctica, jogadores, treino, criatividade, sorte e azar.

O Futebol (português) é isto:

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E é isto que vale. É isto que Vence. Foi sempre este o "trabalho táctico" de eleição.
Um país que idolatra símbolos de merda e que nos "impõe" um só clube, uma só cor. Uma impunidade total, à vista de todos, elogiada como um sendo ilustre sinal de "Competência", "Organização" e "Estrutura". No fundo, não passam de uns criminosos. Todos, quem pratica e quem assiste feliz, contente e, especialmente, consciente. 

Esta merda nunca terá fim, pelo menos neste país.

Escolhi o país errado para gostar de Futebol..

segunda-feira, 3 de abril de 2017

De costas voltadas à Ambição (e ao Futuro)


Caro Jorge Jesus, já que não te posso pedir para que uses os melhores jogadores, que lhes tentes incutir o mínimo de respeito pelo Sporting Clube de Portugal (adeptos e História), e porque não, à sua própria profissão, peço-te que não nos consideres iguais aos adeptos do teu anterior clube. Nós não somos nenhuns acéfalos. Não nos tornes por parvos, pode ser?

É preciso destacar três pormenores fundamentais. Primeiro, a vitória. Segundo, de uma série sete jogos conseguimos seis vitórias e um empate. Terceiro, o Arouca no seu terreno é difícil e começamos a perder. - Jorge Jesus

Vamos lá ver. Ok, a vitória é sempre muito importante. Se é oficial que renunciámos ao Futebol, então que venham as vitórias. Ao menos isso. 
Uau, que registo impressionante. 6 vitórias em 7 jogos. Moreirense, Rio Ave, Estoril, Guimarães, Tondela, Nacional e Arouca. Nunca pensei... Isto era de uma exigência brutal... Adversários poderosíssimos. Claro que foi impossível vencer o Vitória de Guimarães, em casa. Eu compreendo, é uma equipa que sabe fazer 2 passes seguidos e está, minimamente, bem orientada. Faz toda a diferença.
É verdade. O Arouca em casa é terrível. Contando com o jogo de ontem, os últimos 5 jogos em casa, venceu 1 e perdeu 4... Impressionante. Aliás, todo o registo actual do Arouca é brutal. Nos últimos 10 jogos, venceu 1 e empatou outro. Imagina qual terá sido o resultado obtido nos restantes 8 jogos...

Entrámos com pouca competência defensiva e sofremos um golo. Depois, foram 30 minutos de grande qualidade, com dois golos e boas jogadas. 

Isso nem parece nosso. Entrar com "pouca competência defensiva" e sofrer logo um golo na 1ª jogada (e na pequena área)? Deve ser inédito. 
Sim, reagimos. O nosso avançado (com números ao nível dos melhores da Europa) teve uma única oportunidade. Houve outra do Gelson e... os golos. Avassalador. E na 2ª parte?

Após o intervalo, o Sporting regressou a vencer e poderia dar alguma segurança em termo emocionais, mas era preciso ter mais bola. (...) A segunda parte foi sofrível, mas fico satisfeito por ter ganho, só que queria que a equipa tivesse revelado na segunda parte o mesmo comportamento da primeira.

Bola? Então mas o Alan, Bryan, e Bruno César não são jogadores feitos, com enorme cultura táctica, com um momento defensivo brutal? 2ª parte sofrível? Nem parece nosso... Pelo segundo jogo consecutivo, o nosso melhor jogador foi o Coates. Contra o Arouca, que fez todos os remates enquadrados da 2ª parte. Sabes quantos fizemos? ZERO. A única "oportunidade" ocorreu aos 90m, num lance em Gelson quase chega à bola... Um rolo compressor autêntico.

O Sporting não está a lutar pelo título, mas pressão do título ainda está nestes jogadores, porque parece que têm medo de ganhar.

Jorge, Jorge. Não gozes com um gajo... Mas qual título? Aquele que deixámos de disputar em Dezembro? Medo de ganhar? Não foi isso que eu vi em Tondela. Não é isso que vejo, agora, na equipa B, que estava em posição de descida há cerca de 1 mês. Na equipa não há medo de ganhar. O que tu tens no plantel, é jogadores que não sabem jogar e/ou estão-se a cagar.

Em Tondela jogaste com miúdos com grande qualidade e, acima de tudo, motivados. A bola circulou com rapidez, houve movimentações, imprevisibilidade e a exploração de todos os espaços do terreno. Os que entraram na 2ª parte desse jogo, não foram já acomodados com o resulto feito. Foram atrás de mais futebol e golos.

O 11 de ontem é uma vergonha e é um insulto para quem trabalhou bem em Tondela. Esse foi o nosso melhor jogo em meses!! E tu voltaste a colocar o entulho que só tu achas que serve para o Sporting. Não há razão desportiva que tenha levado à saída de Podence e Matheus da equipa. Não há razão desportiva que leve a que Schelotto e Marvin continuem a vestir a nossa camisola (ontem foi mais uma exibição enorme destas pérolas). Não há razão desportiva para não se dê oportunidades reais a Geraldes e Gauld. Não há substituto para Adrien porque tu não queres.

Quem tem medo de ganhar não são os jovens "sem cultura táctica defensiva" (o Alan defende "pa caralho"). Quem tem medo de ganhar, és tu!!

Nós somos muito, mas mesmo muito tolerantes. Em Janeiro, apesar da vergonha que foi esta época (altamente dispendiosa e que vai demorar muito tempo a equilibrar), nós metemos na cabeça que já se devia preparar a próxima época. Voltaram alguns dos que não deviam ter saído e saiu parte que não devia, nunca, ter entrado. Mas o marasmo é o mesmo e o tempo vai-se esgotando sem qualquer sinal que se está a preparar o futuro. Tondela foi uma excepção. Foi um doce que nos deste, mas ficaste com medo que virássemos diabéticos e voltaste a tirar da nossa boca. Tondela aconteceu porque Adrien, Alan e B. César estavam impedidos de jogar. Só por isso.

O Sporting (e eu) quer que tu sejas o seu treinador. Mas, e isso custa-me muito, eu acho que tu não queres ser o treinador do Sporting.


ps: na próxima jornada o Boavista vem a Alvalade. Espero que deixem o Iuri Medeiros jogar. Tenho saudades de ver futebol.