terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Notas de domingo


1. Nunca é fácil (para o Sporting) defrontar o Rio Ave. Porquê? Porque é bem orientado, porque tem bons princípios de jogo (e, especialmente, bem executados), porque tem bons executantes (Hassan, Del Valle, Diego Lopes e Tarantini) e, também, porque tem um treinador que nos odeia (o que o motiva ainda mais). E todas essas características que definem este Rio Ave (quando joga contra o Sporting), estiveram presentes no domingo em Alvalade. Isto, por si só, elevou a dificuldade do jogo, valorizando (e muito) a nossa merecida vitória.

2. Face ao plantel que foi colocado à disposição de Marco Silva no início da época, o 11 apresentado é, para mim, o melhor 11 que o Sporting tem. Não estou a dizer que é um 11 ao nível dos 11 dos rivais SL Benfica e FC Porto. Para o nosso plantel, é aquele. E esse 11 tem 8 portugueses (7 da formação) e 3 estrangeiros (de valor indiscutível e claras mais-valias). Um pouco à imagem do que era jogar nas Competições Europeias nos anos 80 e 90, tarefa complicada para as equipas portuguesas porque no Campeonato podiam sempre jogar com 4 estrangeiros (em Itália, por exemplo, eram só 3 estrangeiros. Por isso é que um Lentini podia valer milhões... enfim).

3. Mas este 11 (que é o melhor) tinha limitações e, se fosse possível, até se teria jogado com um outro jogador em vez daqueles que entraram. Passo a explicar. Adrien está, neste momento, melhor que André Martins. Mas não é melhor. André Martins veio de longa lesão (1 mês parado faz mossa, ainda mais num jogo com chuva e onde se correu muito, face aos péssimos momentos de transição defensiva da nossa equipa) e Tobias está a ter (só) agora a oportunidade que já devia ter tido em Setembro, quando se percebeu que Sarr e Maurício estão longe de serem indiscutíveis no plantel.

4. Além deste 11, Marco Silva pode contar com, num 1º patamar, Adrien, Mané, Slimani, Esgaio, Gauld, Wallyson e Jonathan e, num 2º patamar, com Tanaka, Rossel, Maurício (visto que Nuno Reis também não conta) e Boeck
É curto para se lutar pela Liga mas suficiente para se alcançar os objectivos mínimos exigíveis: Conquista da Taça de Portugal; 3º lugar da Liga.
Denominador comum: muitos jogadores portugueses (11) e muitos jogadores da formação (10).

5. O Sporting não esteve muito bem na 1ª parte. E para perceber as nossas maiores dificuldades, deixo-vos um espaço que explica tudo aquilo que eu vi mas não sei contar. Passem por aqui.

6. Ainda assim o Sporting chegou à vantagem e tinha tudo para controlar melhor o jogo e começar a explorar aquilo que nunca teve na 1ª parte, espaço (mérito do adversário e demérito nosso, como podem ver no link que vos deixei). 
Esclarecimento adicional: em boa verdade o jogo devia ter "acabado" aos 30 minutos; penalty convertido e, pelo menos, Diego Lopes e Tarantini deveriam ter sido expulsos. 
Mesmo em Alvalade, jogar só com 9 e a perder seria difícil para o Rio Ave.

7. Um golo "made in Alvalade" deu o empate ao Rio Ave. E digo isto porque quando um jogador do Sporting se aproxima das imediações da área logo se ouvem duas coisas das bancadas nervosas: "Chuta!"; "Cruza!";
Fosse isso que aconteceu. A ganhar, canto, bola na entrada da área, caminhos bloqueados, equipa defensivamente desposicionada e... tenta-se o remate contra a muralha vilacondense. Contra-ataque, ninguém faz falta ao portador da bola (como se viu, nesta jornada, nos Barreiros, uma tesoura ao nível da cintura só dá amarelo, por isso porquê que não o fizemos?). De repente está-se em 2x1 que passa a 1x0 e... golo. Volta-se ao início, mas já passaram 40 minutos.

8. 2ª parte. Outro e melhor Sporting. Mais André Martins em jogo (esteve muito bem nos 20m desta parte: virado para o jogo e presente em muitas recuperações, claramente um 8), mais velocidade (bem Mané, especialmente porque substituiu um lesionado Carrillo, que tem sido dos melhores do Sporting), mais jogo interior (Nani, J. Mário, Montero e André Martins), e uma maior presença nos espaços de finalização (muito bem apoiados por mais uma excelente exibição atacante de Jefferson). 
Os golos merecidos chegaram (mas não a tranquilidade).

9. Já com Gauld em campo, o jogo estava tremido com o Rio Ave a rondar a nossa área e o Sporting a comportar-se como estivesse a perder ou a empatar, tal era descontrolo nos momentos de transição ofensiva. Já com muito nervosismo na barriga, William pressiona um defesa junto à linha final (como estaria o meio-campo defensivo naquela situação?) e oferece a Tanaka (e a todos nós) a tranquilidade desejada e merecida.

10. Excelente vitória com muita coisa para avaliar e corrigir. 
Eu gosto mais de vencer 2-0 do que 4-2.

11. Boas estreias de Tobias Figueiredo e Gauld. A primeira peca por tardia, a 2ª pareceu-me no momento certo. Esperemos que Tobias se mantenha (e faça por merecer isso) e que Gauld se mantenha por perto (deverá jogar na 4ª feira).

12. Feliz é o clube que tem um treinador que opta por ter no banco um Ricardo Esgaio em vez de Miguel Lopes

13. Mesmo com a lesão de Carrillo, acho que Nani deveria ter forçado o 5º amarelo, não jogando contra a Académica (bastava empurrar o árbitro que, como se viu, só dá amarelo). Sabemos que este filme, no Sporting, acaba sempre mal. E até aquele amarelo ao Montero (3º, esta época) foi ridículo (como têm sido todos, esta época).

13 comentários:

Mike Portugal disse...

Penso que o Nani deverá forçar o 5º amarelo no jogo em Alvalade e depois não joga em Arouca.

Cantinho do Morais disse...

Mike,

A esta distância, entre não jogar em casa contra a Académica ou não jogar fora contra o Arouca, eu optava pela 1ª opção.

A nossa história diz-nos que este tipo de situação nunca nos corre bem (ex: Liedson, William).

Koba disse...

Concordo Cantinho. Admito que a tensão do jogo, até aos últimos minutos, tenha prejudicado isso.

No demais, grande post!

RG disse...

Cantinho

Achas que o Pedro Martins nos odeia depois de tantos anos a lhe meter comida na mesa?

Cantinho do Morais disse...

Koba,

Obrigado. O post até era para ser pequeno (pois o tempo anda a ser escasso), mas começou-se a desenrolar um guardanapo... e ficou longo.
Espero que a situação do 5º amarelo não nos seja prejudicial (mas não estou confiante).

abraço.


RG,

Pois, e isso é o que mais me estranha. Ele até foi privilegiado, pois jogou numa altura em que o treinador era o Octávio e, para ele, o 11 tinha de ter pelo menos 3 trincos (Oceano, Lang e Pedro Martins; e ainda lá estava o Vidigal).
O que é certo é que tem sempre uma animosidade contra nós e um enorme silêncio quando recebe ou visita as águias e dragões.

RG disse...

Cantinho,

Acredito que seja mais pelo facto de olhando para o plantel que tem e que por norma o Rio Ave costuma ter,com vários emprestados ou ex jogadores ( será??)dos outros 2 e, assim ter de prestar vassalagem ao FCP e ao SLB, algo que já não acontece connosco.

Assim sendo está mais a vontade, ele o clube para protestar connosco, visto que não corre o risco de lhe tirarem o tapete.

Nem me fale nesse táctica do Octávio, que a única coisa de boa que me fez, foi levantar umas quantas vezes do lugar na velhinha bancada norte, no jogo com o Beitar na nossa 1ª participação na Champions....Por outro lado nem quero relembrar o que passei no jogo com Bayer ;)

Cantinho do Morais disse...

RG,

mas a postura do Pedro Martins já vem desde dos tempos do Marítimo.
Mas é mais um que sai daquela casa e revela sempre má-fé contra nós. Por não ser o único, o problema não deve ser só dele(s). Teremos culpa também.
Não estive com o Beitar (pré-eliminatória; Agosto, sempre longe de Lisboa) mas vi esse com o Bayer (que banho...) e com o Lierse (já com o Cantatore; também foi banho, mas de chuva... com o golo da vitória pelo grande Bruno Gimenez, uma das grandes contratações desse grande senhor Norton Matos).
Mas o melhor jogo dessa Champions foi contra o Mónaco, em Alvalade, com tais 3 trincos.

RG disse...

Cantinho,

Por acaso não me recordo de nada do PM nos tempos de Maritimo....

Grande Gimenez em quem eu depositava grandes esperanças e me fez dizer, aos amigos, no intervalo do jogo com o Bayer, ele entra e muda tudo. Não podia estar mais enganado.

De facto o Norton trouxe muita porcaria, mais também tivemos alguns interessantes. No entanto não me importava nada que o sondassem sobre o continente africano. Tenho acompanhado a CAN e o homem ainda parece estar informado.

Cantinho do Morais disse...

RG,

Gimenez faz parte daquele grupo milionário de 1997/1998 que correu muito mal: Leandro, Carlos Miguel, Gimenez, Nené, Lang, Vinicius.
E quando digo milionário, não digo só na contratação, mas também no rendimento que foi ZERO.

Norton Matos? Não!! Por favor...
Conhecimento do mercado africano? E depois vinha mais um Missé Missé?
Tenho visto alguns jogos da CAN e, até agora, não ouvi nada mais que banalidades daquela boca.
Creio que haverá no universo leonino quem saberá tanto ou mais que ele, acerca do mundo futebolístico africano.

RG disse...

Mas não podemos esquecer que também foi com ele que vieram Duscher,Quiroga por exemplo!

No caso de Leandro e Carlos Miguel acho que foram outras razões que levaram que o rendimento fosse zero. Missé MIssé foi pedido do Waseige, o homem não teve influência nisso.

Tenho seguido e ele parece-me ainda estar informado. Não duvido que haja gente do universo leonino, agora convém é aproveitar

Cantinho do Morais disse...

Por acaso não tenho a certeza disso (Duscher, Quiroga e... Kmet), pois isso foi no ano do Jozic, que conhecia muito bem aquele mercado e jogadores.
Não sei se Norton ainda lá estava (não me lembro), pois recordo-me que Octávio Machado teve muitos conflitos com Norton de Matos.
Confesso que não me recordo.

Mas concordo que é um mercado que se deve sempre explorar e aproveitar.

RG disse...

Cantinho,

Penso que tenha sido Norton. Kmet veio nessa altura e Norton já assuniu várias vezes que esperava mais dele quando o trouxe, logo penso que tenha também trazido os outros 2.

Caso fosse eu que mandasse era parceria para Academia em Angola, como já existe, Cabo Verde e outra em Marrocos ou Argélia. Todas devidamente "equipadas" com olheiros para as "zonas circundantes".

Veja-se o que Barcelona tem feito juntamente com a escola de Etoo.

Mas como não sou eu que mando nem decido...

Nuno disse...

Jogo perfeito para comprovar uma premissa abafada por muitos: SCP = corrupção desportiva ativa.